Dioceses do Algarve, Beja e Évora prolongaram biénio vocacional até 2024, projetando dinâmica da Jornada Mundial da Juventude

Foto: Arquidiocese de Évora

Évora, 01 dez 2022 (Ecclesia) – As dioceses do Algarve, Beja e Évora, que formam a Província Eclesiástica de Évora, prolongaram o biénio vocacional que estavam a viver, para responder à dinâmica da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.

“Queremos viver a Jornada Mundial da Juventude com esperança de que muitos jovens vão perceber que o Senhor, através das necessidades e dos sinais dos tempos, os chama para a tempo inteiro servirem a comunidade e serem mensageiro da esperança”, disse o arcebispo de Évora, em declarações à Agência ECCLESIA.

Este tempo especial dedicado à Pastoral Vocacional vai decorrer até ao final do ano pastoral 2023/2024, tornando-se um triénio.

D. Francisco Senra Coelho começou por assinalar a importância de perceber que “a Pastoral Vocacional é transversal a toda a pastoral, a toda a atividade da Igreja”.

“Não podemos fazer uma pastoral compartimentada. Esta preocupação colocou-se aos bispo do sul de levarmos à catequese, aos grupos de jovens, levarmos a movimentos juvenis, como os Convívios Fraternos, as Equipas de Nossa Senhora com os seus grupos, o Renovamento Carismático, ao escutismo, a pastoral vocacional, que não é algo que se aplica porque é necessário recrutar vocações”, explicou.

O arcebispo sublinhou que a “dimensão vocacional é muito ampla”, e, antes de tudo, “a grande descoberta do dom da vida, de uma vida cristã, da chamada à santidade, ao testemunho de vida”, e depois é fundamental o matrimónio cristão, lembrado que há “uma descida muito grande” ao que se chama vulgarmente ‘casamento pela Igreja’.

Neste contexto, o responsável pela Arquidiocese de Évora recordou que existem muitas experiências no mundo de “Igrejas muito vivas com pouquíssimos sacerdotes”, onde a visita do missionário – presbítero – é apenas uma ou duas vezes por ano e essas comunidades são “conduzidas por catequistas, por evangelistas, anciãos responsáveis pela comunidade”, que batizam, testemunham o matrimónio, presidem às exéquias fúnebres e “têm a preocupação de fazer a celebração dominical”.

“Há Igreja com poucos sacerdotes, mas não há Igreja sem famílias cristãs, e esta descoberta é muito importante, da vocação ao matrimónio como missão da Pastoral Vocacional, depois a toda a vida consagrada, as vocações sacerdotais, missionárias, religiosas, contemplativas”, desenvolveu D. Francisco Senra Coelho, afirmando que “a situação vocacional ao presbiterado no sul de Portugal é preocupante, põe muitas questões”.

Segundo o arcebispo de Évora, nesta Província Eclesiástica todos põem “uma grande esperança” nas Jornadas de Formação do Clero do Sul 2023, que vai reunir os sacerdotes das três dioceses, de 16 a 19 de janeiro, em Albufeira (Algarve), num evento promovido e conduzido pelo Instituto Superior de Teologia de Évora.

“Vai acontecer um tripé de formação: as Jornadas Mundiais da Juventude, precisam de um olhar muito atento para a pastoral juvenil naquilo que há de ser a vivência e a continuidade, o pós-jornadas da juventude; a Pastoral Vocacional, nesta nossa preocupação do sul, e dizer tudo isto numa dimensão sinodal, que não aconteça ‘fazer para’ mas ‘fazer com’, precisou, esperando “um despertar maior dos presbíteros, diáconos, que acompanham as comunidades para esta dinâmica”.

Os bispos portugueses aprovaram a realização do V Congresso Eucarístico Nacional, de 31 de maio a 2 de junho de 2024, em Braga, e este encontro, no ano pós JMJ, para as dioceses do sul pode “acompanhar a sinergia da Jornada Mundial da Juventude”.

“Teríamos um ano de trabalho mais intenso provavelmente com uma peregrinação do sul a Fátima, pedindo ao Senhor que acenda no coração de muitos jovens, de homens e mulheres, este apelo à dimensão missionária, a uma Igreja em saída. E saibamos trazer connosco o odor das ovelhas, e ai está a razão de ser do triénio”, conclui D. Francisco Senra Coelho.

CB/OC

Partilhar:
Share