D. António Luciano sublinha que atual situação de fragilidade «afeta todos»

Viseu, 12 out 2020 (Ecclesia) – O bispo da Diocese de Viseu assinalou o Dia Mundial da Saúde Mental, sublinhando a importância de “cuidadores” num momento de fragilidade, provocado pela pandemia da Covid-19.

“Faltam cuidadores na Saúde Mental. Estamos envolvidos num mundo assolado por tão grave pandemia, que nos pede sacrifícios para continuamos a ser pessoas com dignidade própria, com direitos e deveres”, refere D. António Luciano, numa nota enviada à Agência ECCLESIA, a respeito da celebração do último sábado.

O responsável católico convida a refletir sobre o lugar do doente mental na sociedade atual.

“A fragilidade afeta a todos e traz-nos medo, insegurança, desânimo, sentimentos de revolta, que podem levar à bipolaridade, à esquizofrenia insustentável, à psicose persistente,  ao desejo permanente de morrer, à ausência de alegria, à nostalgia do irreal, à tristeza do ser, à frustração do não alcançado, ao desejo de fuga, à insatisfação num projeto, ao desistir de um sonho pondo em risco a própria vida”, adverte.

O bispo de Viseu dirige uma saudação a todos os “doentes internados, os que vivem em casa com a família, os que estão nos cuidados intensivos ou nos cuidados paliativos”.

Lembro todos os doentes mentais, os que estão internados nos mais diversos serviços de Psiquiatria no Serviço Nacional de Saúde, os internados nos serviços da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, ou nas Casas de Saúde orientadas pelas Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, ou outras instituições que no nosso país prestam um serviço de cuidados em qualidade aos doentes mentais quer internados, quer em ambulatório”.

Segundo D. António Luciano, existe um risco de agravamento do número de pessoas com doença mental, defendendo a promoção de atitudes de “proximidade e resiliência”.

“Há muitas pessoas em dificuldade, desiludidas da vida, desintegradas e desenraizadas da nossa sociedade, que esperam uma palavra amiga, um gesto, um incentivo e uma motivação”, escreve.

“Queremos despertar na sociedade uma onda de solidariedade e de gratidão, em reconhecimento aos cuidadores abnegados entregues à causa da saúde mental em Portugal”, acrescenta.

A mensagem destaca a “complexidade” da área da Saúde Mental, que envolve várias dimensões humanas e sociais.

“Cuidemos da criação, cuidemos da economia, cuidemos da fraternidade, cuidemos do aparecimento rápido de uma vacina para todos contra o Covid-19, mas não esqueçamos por favor os doentes mentais, eles são também os mais vulneráveis e os mais frágeis de uma sociedade”, apela o bispo de Viseu, pedindo o fim do preconceito e da discriminação destas pessoas.

OC

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