«Escândalos, divisões, ausência de testemunho de clérigos e leigos afetam a Igreja» afirma bispo no início do processo sinodal

Foto: Diocese de Vila Real

Vila Real, 17 out 2021 (Ecclesia) – O bispo de Vila Real afirmou no início do Sínodo dos bispos na diocese que “os momentos de crise são oportunidades de mudança e renovação” e que também a Igreja deve fazer esse caminho.

“Alguns escândalos e divisões, que têm afetado a Igreja, a ausência de testemunho de muitos batizados (clérigos ou leigos), a inércia de algumas comunidades causam pena e vergonha. Também as perseguições de que os cristãos são vítimas em várias partes do mundo e as discriminações que sofrem não podem ser silenciadas. Quando a nossa mãe, a Igreja, sofre, os seus verdadeiros filhos sofrem com ela”, afirmou D. António Augusto Azevedo durante a celebração que deu início à fase diocesana do Sínodo dos bispos, em Vila Real.

D. António Augusto Azevedo advertiu para os “grandes obstáculos a uma Igreja mais sinodal e fraterna”: “O sentido do poder e do domínio”.

“Na Igreja há funções de autoridade, lugares de especial responsabilidade, encargos de presidir, dirigir ou coordenar, mas isso nunca pode significar domínio, arbitrariedade, abuso de poder, recusa de transparência ou escrutínio. Como Jesus, todos na Igreja estamos para servir e não para sermos servidos, muito menos para nos servirmos”, indicou.

D. António Augusto Azevedo fala numa “oportunidade” para converter “um ser e estar em Igreja”, um “tempo de purificação e de ousadia na implementação de processos e estilos de funcionamento mais evangélicos, acolhedores e fraternos”.

O responsável deu conta que em Igreja, “não caminha cada um por si, ninguém está só”, nem compete “para ver quem chega primeiro”.

“Somos Povo de Deus que caminha na história, organizado em comunidades constituídas por gente diversa. Ajudamo-nos uns aos outros nesta peregrinação, confortamo-nos nas horas difíceis, animamo-nos e congratulamo-nos nos sucessos, sempre atentos para que ninguém fique para trás, especialmente os mais frágeis”, refletiu.

No alargar do processo sinodal, pedido pelo Papa Francisco, o bispo de Vila Real indica ser “indispensável promover o encontro das pessoas, grupos e comunidades, entre si e com Cristo”.

“Porém um encontro que facilite e promova a escuta e o diálogo, em que todos sintam que têm algo a dizer, a sua voz é atendida. Precisamos de escutar mais o que Deus nos quer dizer, escutar muitas vozes caladas e sofredoras, escutar os desafios que este tempo nos coloca e as interpelações das novas gerações”, sugeriu, na homilia publicada na página da diocese de Vila Real.

O responsável indicou uma “feliz coincidência” por a realização do percurso sinodal acontecer “durante a primeira parte do ano em que se celebra o centenário da diocese”.

“Desafia-nos a «caminhar juntos» com toda a Igreja, a sentirmo-nos mais parcela viva da Igreja universal e por outro a tomarmos consciência de que o «crescer com raízes» (lema do centenário) só poderá acontecer se formos uma diocese mais sinodal a todos os níveis”, indica.

O bispo de Vila Real pede “empenho” de todos os que participam em “vários âmbitos diocesanos”, “sem esquecer a necessidade de convidar aqueles que se afastaram ou não se identificam com a Igreja”.

D. António Azevedo apresentou a comissão dinamizadora dos trabalhos, a que presidirá o padre Márcio Martins e que conta com o diácono Daniel Coelho e dois leigos, João Paulo Lopes e Olímpia Mairos.

As dioceses portuguesas assinalam, a partir deste domingo, a fase inicial de consulta e mobilização das comunidades católicas no processo sinodal convocado pelo Papa, que decorre até 2023.

A auscultação das Igrejas locais é uma etapa inédita, desenhada pelo Papa Francisco, que pediu a cada bispo que replicasse a celebração de abertura que decorreu no Vaticano, a 9 e 10 de outubro, com uma cerimónia diocesana.

LS

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