Padre Alberto Mendes, especialista em paliativos, lamenta legalização da eutanásia e defende vocação para o cuidado de quem sofre

Lisboa, 02 fev 2021 (Ecclesia) – O padre Alberto Mendes, religioso da Ordem Hospitaleira de São João de Deus e especialista em paliativos, lamentou a legalização da eutanásia, considerando que a sociedade se deve unir numa cultura de cuidado.

“Não há nenhum bom momento, mas este é pior ainda, porque, para luta diariamente com grandes sacrifícios, pela vida, é quase como uma facada, no meio disto tudo”, referiu, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O autor do livro ‘Cuidados Paliativos – Diagnóstico e Intervenção espiritual’, sublinha que a Igreja Católica não quer que “ninguém sofra”, luta pela “eliminação do sofrimento” e não da pessoa que sofre.

“Temos de lutar todos pela vida, isso é que é importante”, insiste.

O religioso assinala que os sofrimentos físicos, psicológicos, sociais e espirituais exigem uma “equipa multidisciplinar”.

“Os cuidados paliativos dão essa resposta e tentamos que seja uma realidade cada vez mais presente na nossa sociedade, que ainda não é”, destaca o padre Alberto Mendes.

O capelão da Clínica de S. João de Ávila, em Lisboa, integra uma das unidades do país especializadas em cuidados paliativos e no acompanhamento aos doentes terminais e suas famílias.

Para o religioso, é necessário atender à história de cada pessoa e tentar “sanar” o que está em sofrimento.

“Há que tirar a dor, o sofrimento, que não é só a dor física”, aponta.

O padre Alberto Mendes sustenta que “ainda falta muito para que toda a gente tenha acesso, de forma normal, diariamente” aos cuidados paliativos.

O entrevistado entende que, “nestas áreas, de fronteira, de limite, é preciso trabalhar muito por vocação”, de “cuidador”.

A Ordem Hospitaleira de São João de Deus é marcada pela “assistência e cuidado aos outros”, com um voto especial de “hospitalidade”.

“Cultivamos muito a linguagem do cuidar. Tentamos dar a nossa vida”, aponta o padre Alberto Mendes.

O entrevistado destaca a atenção à “saúde global das pessoas”, com destaque para a saúde mental, pessoas que nem sempre têm “voz”.

“A nossa luta diária é que estes doentes não fiquem esquecidos. Lutamos para que a saúde mental seja tida em conta”, realça.

A Igreja Católica em Portugal celebrou, de 26 de janeiro a 2 de fevereiro, a Semana do Consagrado, propondo esta opção de vida religiosa como alternativa à “cultura do provisório”.

“Nestes tempos em que predomina a cultura do provisório que instiga ao experimentalismo, a fidelidade aos compromissos, sobretudo aos que implicam a entrega da totalidade da vida na lógica do Evangelho, é desvalorizada. Talvez isso ajude a perceber melhor a razão pela qual à nossa volta há tanta gente insatisfeita e insegura, pessoas com medo de tomar decisões e outras ainda com as marcas da frustração ou as feridas do fracasso”, escreveu D. António Augusto Azevedo, presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios (CEVM), na mensagem para esta iniciativa.

A semana tem como tema ‘Consagrados: fiéis e felizes?’.

Na Igreja Católica, a vida consagrada é constituída por homens e mulheres que se comprometeram, pública e oficialmente, a viver (individualmente ou em comunidade) os votos de pobreza, castidade e obediência para toda a vida; hoje inclui leigos, sacerdotes, religiosas e religiosos.

PR/OC

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