Bispo diocesano presidiu à Missa no dia da memória litúrgica do novo santo português e referiu-se ao significado das suas relíquias

Foto Diocese de Viana do Castelo

Viana do Castelo, 19 jul 2019 (Ecclesia) – O bispo de Viana do Castelo presidiu à eucaristia da Festa de São Bartolomeu dos Mártires, esta quinta-feira, apontou a simbologia das relíquias designou o novo santo como a “coluna vertebral da sociedade e da Igreja”.

“A vértebra é a parte do nosso corpo em que se apoia o nosso esqueleto. Foi aqui, nesta igreja do Convento de São Domingos, de uma maneira muito especial, que Bartolomeu dos Mártires se tornou coluna vertebral da sociedade e da Igreja, ganhou força e energia para transmitir a mensagem cristã, se encontrou com Deus e se tornou místico”, disse D. Anacleto Oliveira na homilia da Missa.

A relíquia do braço de Frei Bartolomeu dos Mártires, que se encontra na Sé de Viana do Castelo, “foi sinal da misericórdia de Deus e instrumento com o qual se tornou discípulo missionário, contribuindo, de modo único, para a criação da Diocese, o que viria a acontecer vários séculos depois”, acrescentou.

A celebração, que juntou muitos fiéis e perto de duas dezenas de sacerdotes, ganhou especial significado pelo anúncio da canonização do “arcebispo santo”, anunciada pelo Vaticano no passado dia 06 de julho. 

Foto Diocese de Viana do Castelo

Foi um homem que não parou, percorrendo a vasta Arquidiocese, composta então por centenas de paróquias. E fê-lo em condições desumanas comparativamente com as de hoje. Fez-se escravo de todos, usando as palavras de Paulo, vivendo o Evangelho na sua pureza máxima, o que é visível até na comida que partilhava com os pobres”, afirmou D. Anacleto Oliveira destacando a dinâmica de São Bartolomeu dos Mártires.

O bispo de Viana do Castelo referiu que não haverá uma cerimónia de canonização, mas apenas a leitura solene do decreto que inscreve Frei Bartolomeu dos Mártires no Livro dos Santos, que deverá ter lugar na Arquidiocese de Braga, no dia 10 de novembro, data em que começa a semana dos Seminários.

No dia 6 de julho, o PapaFrancisco  promulgou o decreto relativo à canonização de D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1514-1590), arcebispo de Braga, arquidiocese que incluía na altura os territórios das dioceses de Braga, Viana do Castelo, de Bragança-Miranda e de Vila Real.

No texto publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé pode ler-se que, durante audiência ao cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Papa “aprovou os votos favoráveis dos membros da congregação e estendeu o culto litúrgico em honra ao Beato Bartolomeu dos Mártires à Igreja Universal”, “inscrevendo-o no livro dos santos” por “canonização equipolente”.

Em janeiro de 2016, o Papa Francisco já tinha autorizado a canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires sem a necessidade de um novo milagre atribuído à intercessão do futuro santo português, num processo que é denominado como canonização equipolente.

Frei Bartolomeu dos Mártires, de seu nome Bartolomeu Fernandes, nasceu em Lisboa a 3 de  maio de 1514, e é recordado como um modelo de benevolência e uma figura ímpar na dedicação à Igreja Católica.

O bispo português, que se afirmou como uma das vozes de referência no Concílio de Trento (1543 – 1563), um momento decisivo na história da Igreja Católica na altura confrontada com a Reforma Protestante; destacou-se também pela sua missão pastoral à frente das comunidades católicas do Minho e de Trás-os-Montes, com especial relevo para o seu gosto pelas visitas pastorais às populações, a que dedicava grande parte do seu seu tempo.

Depois de resignar em 1582, por motivos de idade, Frei Bartolomeu dos Mártires viria a falecer em 1590, no Convento de Santa Cruz, em Viana do Castelo.

JCP/SN

 

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