Padre Tiago Rodrigues afirma que a formação «é fundamental» para a «beleza do bem celebrar, cantar e tocar um órgão»

Viana do Castelo, 30 jul 2021 (Ecclesia) – O diretor do Secretariado Diocesano da Liturgia de Viana do Castelo apelou à criação de uma Escola de Música Litúrgica e de ministérios laicais para a Liturgia nesta Igreja local, na sequência do I Ciclo de Órgão.

“Enquanto não tivermos formação a sério na nossa diocese, o órgão continuará a aparecer na mente das pessoas como algo do passado”, disse o padre Tiago Rodrigues, na mais recente edição do jornal diocesano’ Notícias de Viana’.

O diretor do Secretariado da Liturgia da Diocese de Viana do Castelo afirma que “urge” a criação de uma Escola Diocesana de Música Litúrgica e de ministérios laicais para a liturgia e assinala que a “formação é fundamental” para a “beleza do bem celebrar, bem cantar e bem tocar um órgão”.

Para o responsável diocesano, a “sensibilização dos sacerdotes é fundamental”, há menos padres “e mais paróquias” confiadas a cada um, por isso “investir” na formação dos leigos tem de ser “a prioridade”, e no contexto da música litúrgica, na formação litúrgica, “será decisivo para a renovação”.

“Vemos cada vez mais jovens a estudar música, cada vez mais jovens músicos a formar pequenos grupos musicais, com música de qualidade, muitos deles com formação cristã e percurso catequético, mas que, nas nossas paróquias, teimamos em não orientar para a qualidade e para a especificidade da liturgia”, desenvolveu.

O Secretariado da Liturgia da diocese do Alto Minho dinamizou o I Ciclo de Órgão, no concelho de Viana do Castelo, e o sacerdote explica que o órgão está ao serviço da liturgia se ajudar a comunidade “num clima de oferenda espiritual e expressão de louvor e de súplica, diante de Deus”.

Segundo o padre Tiago Rodrigues, o órgão é o rei dos instrumentos e começa por salientar que é um “instrumento de sopro”, “com ar soprado por um motor”, e o som é tão diversificado quanto “for o número de tubos”, por isso, cada órgão contém “centenas ou até milhares de instrumentos tais como flautas, oboés, trompetes”, sendo o órgão de tubos “o mais completo, o mais poderoso” dos instrumentos musicais.

Diogo Zão, diretor artístico do ciclo, a formação é “talvez a maior” prioridade, no imediato é ao nível da “qualificação das organistas”, mas há outras dimensões educadoras mais amplas para as quais querem contribuir, como “ao nível do património, material e imaterial”, e um evento como o Ciclo de Órgão “pode e deve explorar esta dimensão de diversas formas”.

“Com programas bem desenhados, todos podem e devem ser incluídos, sem limite de idade e ao nível da formação prévia. Todos devem ser encorajados para esta nova dimensão, para esta outra forma de olhar para a prática musical em contexto litúrgico; De todo este investimento muito beneficiariam as comunidades paroquiais, mas também, numa lógica cultural mais abrangente, a região”, desenvolveu.

O diretor artístico do ciclo de órgão contabilizou que o Arciprestado de Viana do Castelo tem “22 órgãos de tubos mas apenas seis estão em condições de funcionamento”, foram restaurados no “passado mais recente” – igreja de Areosa, 1997; igreja da Misericórdia, 2010; Sé, 2018 e igreja de São Domingos, 2019 – e utilizados no evento realizado de 10 a 18 de julho.

“No caso dos órgãos de tubos de Viana do Castelo, maioritariamente datam do séc. XVIII e início do XIX, tendo por base a prática de construção ibérica”, acrescentou Diogo Zão, na edição do ‘Notícias de Viana’ publicada esta quinta-feira.

CB/OC

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