Gesto histórico marcou pontificado de um dos Papas mais velhos da história da Igreja Católica

Cidade do Vaticano, 11 fev 2020 (Ecclesia) – Bento XVI renunciou ao pontificado há sete anos, mantendo uma vida reservada no Mosteiro ‘Mater Eclesiae’, do Vaticano, sem aparições públicas desde julho de 2016.

O sucessor de São João Paulo II anunciou a sua renúncia ao pontificado a 11 de fevereiro de 2013, uma decisão que surpreendeu os cardeais reunidos para um consistório público ordinário, destinado a definir datas de canonização.

A última renúncia ao pontificado tinha acontecido em 1415, com a resignação do Papa Gregório XII (induzida pelo Concílio de Constância).

O Código de Direito Canónico, prevê a possibilidade jurídica de renúncia por parte do Papa e esta renúncia não precisa de ser aceite por ninguém para ter validade, como indica o Cânone 332.

O que se exige é que o Papa renuncie livremente e que manifeste a sua decisão de modo claro e público.

“Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos cardeais em 19 de abril de 2005”, declarou Bento XVI, a 11 de fevereiro de 2013.

O Papa emérito vai completar 93 anos de idade a 16 de abril; embora persistam incertezas quanto aos dados dos pontificados dos primeiros séculos, apenas dois Papas terão completado 93 anos de idade na história da Igreja Católica: Celestino III (1105-1198), eleito em 1191, já com 86 anos; e Leão XIII (1810-1903), eleito em 1878, com 67 anos.

Na última audiência pública do seu pontificado, a 27 de fevereiro de 2013, Bento XVI explicava que a sua renúncia se aplica ao “exercício ativo do ministério” do Papa, sem implicar um regresso à “privacidade”.

“Deixo de levar a potestade do ofício para o governo da Igreja, mas no serviço da oração permaneço, por assim dizer, no recinto de São Pedro”, declarou, na sua catequese em italiano, perante mais de 150 mil pessoas.

Bento XVI tem mantido uma vida reservada no Mosteiro ‘Mater Eclesiae’, do Vaticano, sem aparições públicas desde 2016, ano em que regressou ao palácio apostólico, para uma homenagem por ocasião do seu 65.º aniversário de ordenação sacerdotal; ainda em 2016, falou publicamente, no livro-entrevista ‘Últimas conversas’, sobre a sua renúncia ao pontificado, explicando que esta foi uma decisão amadurecida, que não vê como um “fracasso”.

Em janeiro deste ano, Bento XVI viu o seu nome ser anunciado como coautor do livro ‘Das profundezas dos nossos corações’, do cardeal Robert Sarah.

O seu secretário particular, D. Georg Ganswein, veio a público pedir aos editores que “retirem o nome de Bento XVI como coautor do livro e também que retirem a sua assinatura da introdução e das conclusões”.

O prefeito da Casa Pontifícia referiu que o Papa emérito sabia que o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé), estava a preparar um livro e “tinha enviado um pequeno texto seu sobre o sacerdócio, autorizando-o a usá-lo como o desejasse”.

OC

 

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