Vaticano: Quaresma conduz «a um espaço livre do supérfluo», afirmou D. Erik Varden no retiro da Cúria Romana

Monge trapista norueguês faz, ao todo, 11 meditações para Leão XIV, os colaboradores do Papa e cardeais, até sexta-feira

Cidade do Vaticano, 23 fev 2025 (Ecclesia) – O bispo D. Erik Varden afirmou que a Quaresma conduz a um “espaço livre do supérfluo”, e alertou para a “instrumentalização da linguagem e dos símbolos cristãos” na primeira meditação do retiro na Cúria Romana.

“A Quaresma confronta-nos com o essencial. Conduz-nos, material e simbolicamente, a um espaço livre do supérfluo. As coisas que nos podem distrair, até mesmo as coisas benéficas em si mesmas, são removidas por um período. Abraçamos uma abstinência dos sentidos”, disse o bispo de Trondheim (Noruega), este domingo, dia 22 de fevereiro, no Vaticano.

D. Erik Varden assinalou que “a fidelidade ao exemplo e aos mandamentos de Cristo é a marca da sinceridade cristã”, explicando que a extensão da paz que encarnam — “essa paz que o mundo não pode dar — indica a presença constante de Jesus” em cada um, por isso, devem “insistir nisto agora, quando o Evangelho é por vezes usado como arma nas guerras culturais”.

“A instrumentalização da linguagem e dos símbolos cristãos deve ser contestada, não só através de uma indignação superficial, mas também pelo ensino dos termos da autêntica guerra espiritual. Pois a paz cristã não é uma promessa de facilidade; é uma condição para uma sociedade transformada”, acrescentou, no resumo da primeira reflexão, intitulada ‘Entrar na Quaresma’, que publicou na sua página na internet.

“É oportuno articular a radicalidade da ‘paz’ cristã, enquanto nos lembramos, e lembramos aos outros, da verdade contida nas palavras de S. João Clímaco: ‘Não há obstáculo maior à presença do Espírito em nós do que a ira.’”

O monge trapista  está a orientar o retiro de Quaresma do Papa e dos seus colaboradores da Cúria Romana, até sexta-feira, dia 27 de fevereiro; as 11 meditações, partem do tema geral ‘Iluminados por uma glória oculta. Um itinerário quaresmal’, e realizam-se na Capela Paulina, do Vaticano, com momentos de oração de manhã e à tarde.

D. Erik Varden, na reflexão que coincidiu com o primeiro domingo da Quaresma, explicou que a Igreja permeia “o programa quaresmal com paz”, ela não diminui em nada o seu chamamento para “combater os vícios e as paixões nocivas”, porque a sua linguagem “é ‘sim, sim’, ‘não, não’, e não ‘às vezes isto’, ‘às vezes aquilo’.

“Em vez disso, ao iniciarmos a batalha de cada Quaresma, oferece-nos uma melodia pacífica como banda sonora sazonal: um trecho de grande beleza que, durante mais de mil anos, a Igreja canta no primeiro domingo da Quaresma, para introduzir o relato da tentação de Cristo no deserto”, desenvolveu, lê-se no resumo publicado online.

Segundo o programa dos exercícios espirituais 2026 do Papa Leão XIV, dos cardeais residentes em Roma e dos chefes dos dicastérios da Cúria Romana, o bispo de Trondheim, monge cisterciense da Estrita Observância-Trapistas, vai proferir duas meditações por dia – às 09h00 locais (menos uma hora em Lisboa), após a oração, e a segunda reflexão às 17h00, seguida de Adoração Eucarística e oração de vésperas.

Esta segunda-feira, as meditações são sobre ‘São Bernardo, o idealista’, de manhã, e ‘A ajuda de Deus’, da parte da tarde, ao longo desta semana D. Erik Varden vai ainda falar sobre temas como ‘o caminho para a verdadeira liberdade’; ‘o esplendor da verdade’; ‘a provação expressa na imagem “mil cairão”’; ‘os anjos como mensageiros do Senhor’; e a meditação final é sobre ‘comunicar esperança’. Duas reflexões serão especialmente dedicadas à figura de São Bernardo, sob os títulos “São Bernardo, o Idealista” e “São Bernardo, o Realista”, programadas para a tarde de 26 de fevereiro.

OC/CB/PR

Foto: Vatican Media

Nascido na Noruega em 1974, D. Erik Varden cresceu numa família protestante não praticante e a sua conversão ao catolicismo foi impulsionada por uma intensa procura espiritual, despertada aos 16 anos por uma audição da Sinfonia n.º 2 de Mahler.

O bispo e autor passou por Lisboa em outubro de 2025, altura em que concedeu uma entrevista à Agência ECCLESIA.

Desde 2024, preside à Conferência Episcopal Nórdica e é membro do Dicastério para o Clero (Santa Sé).

 

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