Terrorismo não pode ser entendido como uma guerra entre religiões No dia em que o terror volta a pairar sobre Londres, após quatro explosões terem provocado um “pequeno número” de vítimas, segundo as autoridades policiais, chegam ecos do esforço do Vaticano em afastar o espectro de um “choque de civilizações” por causa dos actos terroristas como o do passado dia 7 de Julho. Apesar de nesse mesmo dia se ter dito que os atentados não reflectiam o espírito do Islão, o primeiro-ministro Tony Blair anunciou ontem que o Reino Unido pretende organizar uma conferência internacional sobre o extremismo religioso. A tão necessária análise às “raízes” do terrorismo parecia, assim, reduzida a uma única dimensão. A resposta apareceu da parte de Bento XVI, o qual declarou que o “terrorismo é irracional”, considerando que por trás dos atentados de Londres “não está um choque de civilizações” entre o Ocidente e o mundo Islâmico, mas apenas “pequenos grupos de fanáticos”. A mesma tese foi hoje defendida pelo Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP), em declarações reproduzidas pela Rádio Vaticano. “Não estamos na presença de um choque de civilizações, mas de algo de irracional: o terrorismo pode crescer também em zonas NÃO (sic) islâmicas e podemos ver isso, lamentavelmente, todos os dias”, refere. “Eu próprio tinha definido o terrorismo, há pouco tempo, como a IV Guerra Mundial, tendo sido a III a Guerra Fria”, acrescenta. O Cardeal Martino, que durante uma década foi representante da Santa Sé na ONU, lembra que João Paulo II se pronunciou de forma clara contra a Guerra do Iraque, explicando claramente “que não se tratava de uma guerra de religião”. No caso do terrorismo, é importante que essa interpretação seja afastada: “trata-se de elementos que agem irracionalmente e é preciso perceber porquê o fazem, procurando as causas de tudo isto e, em consequência, obviar a essas mesmas causas”, conclui o presidente do CPJP.

Partilhar:
Share