Francisco assinalou Dia Mundial de Conscientização do Autismo e pediu «trabalho conjunto» para combater «cultura do descarte»

Cidade do Vaticano, 01 abr 2022 (Ecclesia) – O Papa Francisco afirmou hoje que as pessoas com deficiência são protagonistas de uma sociedade inclusiva e pediu que as organizações civis e comunidades eclesiais trabalhem em conjunto para combater a “cultura do descarte”.

“É necessário continuar a sensibilizar para as várias vertentes da deficiência, quebrando preconceitos e promovendo a cultura de inclusão e pertença, assente na dignidade da pessoa”, pediu o Papa esta manhã, numa audiência à Fundação Italiana de Autismo, antecipando a celebração, a 2 de abril, do Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Francisco valorizou o testemunho de tantas pessoas com deficiência com “boas experiências no trabalho”, indicou o seu exemplo como “sujeitos de uma sociedade mais fraterna” e não apenas “objetos de cuidado” e alertou para o facto de a cultura de inclusão pedir a participação ativa de todas as pessoas, também das pessoas com deficiência.

“Colocá-los no centro significa não só quebrar as barreiras físicas, mas também garantir que possam participar nas iniciativas da comunidade civil e eclesial, dando o seu contributo. Para isso, trata-se de apoiar o seu projeto de vida através do acesso a áreas de educação, emprego e lazer, onde possam socializar e exprimir a sua criatividade. Isso requer uma mudança de mentalidade”, indicou, criticando os “preconceitos e a descriminação” que ainda prevalecem.

A Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Mundial do Autismo em 2007, reconhecendo a necessidade de maior conscientização para esta doença, do foro neurológico, caracterizado por dificuldades de interação social e comunicação.

O Papa afirmou, num discurso publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, a necessidade de combater a cultura do descarte e indicou o trabalho da Fundação como um contributo para a valorização dos “mais fracos e desfavorecidos”.

A deficiência, em todas as suas formas, representa um desafio e uma oportunidade para construirmos juntos uma sociedade mais inclusiva e civil, onde familiares, professores e associações, como a vossa, não sejam deixadas sozinhas, mas apoiados. É a dignidade de todos aqueles homens e mulheres mais frágeis e vulneráveis, muitas vezes marginalizados porque são rotulados como diferentes ou mesmo inúteis, mas que na realidade são uma grande riqueza para a sociedade”.

O Papa lembrou as marcas que a pandemia provocou nas pessoas mais desfavorecidas, “nos idosos, nas pessoas com deficiência e nas suas famílias”, e alertou para a importância do trabalho em rede e a solidariedade.

“Diante de tantas feridas, especialmente dos mais vulneráveis, não desperdicemos a oportunidade de nos apoiarmos mutuamente. Responsabilizemo-nos pelo sofrimento humano com projetos e propostas que coloquem os pequenos no centro”, afirmou.

Dirigindo-se às “comunidades eclesiais e civis”, Francisco pediu “colaboração” para ajudar os mais fracos e os mais desfavorecidos “a fazerem ouvir a sua voz” e sublinhou a necessidade de uma “economia solidária” que inclua em vez de excluir.

Foto: Vatican Media

“Assim como existe uma cultura descartável e outra de inclusão, também existe uma economia que rejeita e uma economia que inclui. E isso acontece todos os dias: há uma lacuna e inclusão, em toda a vida, até na economia. O Evangelho inspira-nos a colocar a fraternidade no centro da economia, para que não sejam excluídos os pobres, os marginalizados e as pessoas com deficiência. Colocar a fraternidade no centro da economia; nem egoísmo, nem lucro pessoal, fraternidade”, assinalou.

O Papa valorizou o trabalho da Fundação Italiana do Autismo, saudando os investigadores, médicos, psicólogos, organizações e associações familiares que, assinalou, “desde 2015 têm como objetivo comum promover uma cultura a favor das pessoas no espectro do autismo e com deficiência intelectual”.

No final do encontro o Papa deu ainda conta que hoje na Praça de São Pedro, algumas pessoas com autismo vão cozinhar e oferecer um almoço aos “irmãos mais pobres”.

“Isso é lindo! Uma iniciativa que testemunha o estilo do Bom Samaritano, o estilo de Deus, Proximidade, compaixão, ternura. Com essas três características vemos a face de Deus, o coração de Deus, o estilo de Deus”, finalizou.

LS

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