Francisco defende construção de pontes de solidariedade, para derrubar «barreiras do ódio»

Cidade do Vaticano, 09 jan 2020 (Ecclesia) – O Papa afirmou hoje no Vaticano a importância de preservar o “projeto europeu” que permitiu a recuperação da paz, após a II Guerra Mundial, num encontro com os membros do corpo diplomático acreditados junto da Santa Sé.

“O projeto europeu continua a ser uma garantia fundamental de desenvolvimento para quem faz parte dele há algum tempo e uma oportunidade de paz, depois de turbulentos conflitos”, indicou Francisco, na sala régia do Palácio Apostólico.

Numa intervenção com cerca de 50 minutos, o Papa deixou votos de que a Europa não perca o “sentido de solidariedade” que a carateriza e promova uma “construção inclusiva”,

O primeiro pontífice latino-americano na história da Igreja Católica apontou a Europa como “exemplo de hospitalidade e equidade social”.

O Papa evocou depois o 30.º aniversário da queda do Muro de Berlim, sinal “emblemático duma cultura da divisão”, que afasta as pessoas e abre caminho ao “extremismo e à violência”.

Vemo-lo cada vez mais na linguagem de ódio amplamente usada na internet e nos meios de comunicação social. Às barreiras do ódio, preferimos as pontes da reconciliação e da solidariedade”.

Francisco convidou a manter as intuições dos “pais fundadores da Europa moderna”, com valores de referência promovem a coesão, num processo “frágil”.

A intervenção usou a imagem do incêndio da Catedral de Notre Dame, em Paris, para sublinhar como pode ser “fácil destruir até o que parece sólido”, pedindo a conservação dos “valores históricos e culturais da Europa e das raízes nas quais a mesma se fundamenta”.

A intervenção evocou alguns dos conflitos que persistem no Velho Continente, como

situações relativas aos Balcãs ocidentais e ao Cáucaso meridional, nomeadamente a Geórgia, além do Chipre.

O Papa falou também das crises na América, com “graves consequências socioeconómicas e humanas”, lembrando especialmente a Venezuela para pedir “uma cultura do diálogo em prol do bem comum” e o respeito pelo estado de direito, “a fim de prevenir deslizes antidemocráticos, populistas e extremistas”.

O discurso encerrou-se com uma saudação às mulheres, 25 anos depois da IV Conferência Mundial das Nações Unidas sobre a Mulher, realizada em Pequim.

“Que em todo o mundo se reconheça cada vez mais o precioso papel das mulheres na sociedade e cessem todas as formas de injustiça, desigualdade e violência contra elas”, disse Francisco.

A Santa Sé tem relações diplomáticas com mais de 180 nações – entre as exceções estão países como a Coreia do Norte, a China e a Arabia Saudita–, além de outras instituições internacionais, como a Soberana Ordem Militar de Malta e a União Europeia.

As relações entre a República Portuguesa e Santa Sé são atualmente reguladas pela Concordata assinada em maio de 2004.

OC

A 14 de maio, o Papa vai promover um encontro mundial que terá como tema Reconstruir o pacto educativo global.

“A educação não se esgota nos tempos de lição das escolas ou das universidades, mas é garantida principalmente respeitando e reforçando o direito primário da família a educar e o direito das Igrejas e das agregações sociais a apoiar e colaborar com as famílias na educação dos filhos”, afirmou hoje, no Vaticano.

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