Francisco aponta, em particular, aos casos que envolvem o fundo «Centurion», em Londres, envolto em polémica

Foto: Agência ECCLESIA/Arlindo Homem

Cidade do Vaticano, 05 nov 2020 (Ecclesia) – O Papa Francisco determinou que a Secretaria de Estado do Vaticano vai deixar de gerir fundos e propriedades, passando essa missão para a Secretaria para a Economia, da Santa Se, e a sua Administração do Património.

A decisão foi anunciada hoje, em nota publicada pelo porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, após reunião entre Francisco e vários responsáveis envolvidos nesta mudança, na quarta-feira: o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin; o secretário-geral do Governatorado do Estado da Cidade do Vaticano, D. Fernando Vergez; o presidente da Administração do Património da Sé Apostólica (APSA), D. Nunzio Galantino; e o prefeito da Secretaria para a Economia, padre Juan Antonio Guerrero.

A passagem da gestão administrativa dos fundos para a APSA e o seu controlo pela Secretaria para a Economia vai ser acompanhada por uma comissão, que entra em funções imediatamente, tendo como prazo os próximos três meses.

Esta mudança tinha sido comunicada pelo Papa ao cardeal Parolin em agosto deste ano, com uma carta que foi hoje divulgada pelo Vaticano.

Francisco fala na necessidade de uma “melhor organização das atividades económicas e financeiras”, apontando, em particular, ao fundo ‘Centurion’, em Londres, envolto em polémica no último ano.

O Papa pede a saída “o mais rapidamente possível” deste fundo, que gere parte dos capitais da Secretaria de Estado do Vaticano, ou que, no mínimo, se “eliminem todos os riscos reputacionais”.

Tendo em conta que a Secretaria de Estado, organismo mais importante da Cúria Romana, não deve agora gerir nem administrar património, Francisco propõe que se “redefina” e mesmo que se avalie a “necessidade de existência” de um departamento administrativo neste organismo.

A 1 de junho, o Papa aprovou nova legislação para promover a “transparência, o controlo e a concorrência” nos contratos públicos relativos a entidades da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

A 18 de fevereiro, o Vaticano anunciou a apreensão de documentos e equipamentos informáticos no escritório e na casa de mons. Alberto Perlasca, antigo responsável administrativo pela I secção da Secretaria de Estado.

A medida judicial foi “tomada no contexto da investigação sobre investimentos financeiros e no setor imobiliário da Secretaria de Estado”.

As diligências aconteceram na sequência “dos primeiros interrogatórios aos funcionários investigados e suspensos”, em 2019.

Abrindo o ano judicial do Vaticano, o Papa referiu-se a esta investigação relativa à gestão de fundos e propriedades (como a da Sloan Avenue, em Londres), falando de “situações financeiras suspeitas, que além da de natureza ilícita, são difíceis de conciliar com a natureza e os propósitos da Igreja”, tendo gerado “desorientação e mal-estar na comunidade dos fiéis”.

A 23 de janeiro, o novo presidente da Autoridade de Informação Financeira (AIF) do Vaticano anunciou que o Estado foi novamente admitido no Grupo Egmont, organização global das autoridades financeiras nacionais.

A AIF tinha sido suspensa em novembro de 2019, após a polémica ligada à venda de um imóvel em Londres, que levou à demissão da anterior direção deste organismo.

A 1 de outubro de 2019, a Santa Sé anunciou que a Justiça do Vaticano apreendeu documentos e material informático na Secretaria de Estado e Autoridade de Informação Financeira.

OC

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