Francisco pede a responsáveis de três congregações que «não escondam» esta realidade

Cidade do Vaticano, 14 jul 2022 (Ecclesia) – O Papa pediu hoje no Vaticano a responsáveis mundiais de três congregações religiosas que assumam a política de “tolerância zero” perante situações de abusos sexuais e os denunciem.

“Tolerância zero. Não tenham vergonha de denunciar: ‘este fez isto, aquele…’. Acompanho-te, és um pecador, és uma pessoa doente, mas tenho de proteger os outros”, declarou, no Palácio Apostólico.

Francisco interrompeu a sua habitual pausa nas audiências oficiais, em julho, para receber os participantes de três Capítulos Gerais que estão a decorrer em Roma: da Ordem Basiliana de São Josafat, da Ordem da Mãe de Deus e da Congregação da Missão (Vicentinos).

“Por favor, peço isto: tolerância zero. Não se resolve a questão com uma transferência. ‘Ah, mando-o deste continente para outro’. Não”, referiu, numa passagem improvisada do seu discurso, divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé,

O Papa assumiu que um dos problemas que existem nas congregações religiosas é o dos abusos.

“Por favor, lembrem-se bem disto: tolerância zero para os abusos de menores ou pessoas incapazes, tolerância zero. Por favor, não escondam esta realidade”, insistiu.

Foto: Vatican Media

Francisco observou que os religiosos e sacerdotes têm a missão de “levar as pessoas a Jesus, não a de ‘devorar’ as pessoas”.

“O abusador destrói, ‘devora’, por assim dizer, o abusado, com a sua concupiscência”, advertiu.

O Papa destacou a importância dos capítulos, reuniões magnas das congregações religiosas, como momento de discernimento comunitário.

“Rezo para que o Espírito Santo conceda os seus dons em abundância, para que possam discernir aquilo que Ele sugere, dê força para enfrentarem os desafios e constância no serviço eclesial”, disse.

A intervenção apontou ao simbolismo da “vida fraterna”, um sinal para o mundo contemporâneo, pedindo aos religiosos humildade, simplicidade de coração e alegria.

Francisco reforçou ainda os seus alertas contra a maledicência, nas comunidades religiosas.

“Se tens algo contra o outro, vai e di-lo na cara. Ou diz a quem o pode remediar, mas não o digas pelas costas. A má-língua destrói, não apenas a comunidade, destrói-me a mim mesmo. A maledicência não é humana, torna as pessoas superficiais”, alertou.

OC

Proteção de Menores: Papa reafirma «tolerância zero» para casos de abusos

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