Audiência aos participantes na quarta edição da conferência «Unite to Cure», com especialistas em medicina regenerativa

Cidade do Vaticano, 28 abr 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que a ciência tem de assumir “limites” éticos, num discurso aos participantes na quarta edição da conferência ‘Unite to Cure’, com especialistas em medicina regenerativa.

“A Igreja louva todo esforço de pesquisa e os seus resultados para curar as pessoas que sofrem, recordando um dos princípios fundamentais: ‘nem tudo o que é tecnicamente possível e executável é eticamente aceitável’. A ciência sabe que tem limites e sentido de responsabilidade ética, pelo bem da humanidade”, declarou.

Francisco recebeu na Sala Paulo VI cerca de 700 participantes na Conferência Internacional promovida pelo Pontifício Conselho para a Cultura, sobre o tema ‘Unidos para curar’.

“Quando vejo representantes de culturas, sociedades e religiões diferentes unir as forças, para empreender um percurso comum de reflexão e compromisso em prol de quem sofre, fico muito feliz, pois a pessoa humana é ponto de encontro e instrumento de unidade”, assinalou o Papa.

A intervenção destacou que, diante do problema do sofrimento humano, é preciso “criar sinergias entre pessoas e instituições, para superar os preconceitos e cultivar maior consideração pela pessoa doente”.

O Vaticano acolheu até hoje a quarta edição da conferência ‘Unite to Cure’, um dos eventos internacionais mais importantes na área da Saúde.

Em declarações ao portal ‘Vatican News’, o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, realça a necessidade de enviar uma ‘mensagem clara’ ao mundo atual de que “é através da partilha de conhecimento, da colaboração, do entendimento de diferentes perspetivas que se pode avançar na saúde humana e na proteção do ambiente, de modo eticamente viável e preservando a humanidade, a cultura e a sociedade”.

A iniciativa global ‘Unite to Cure’ contou com a organização da ‘Cure Foundation’, organização dedicada à investigação, prevenção e cura do cancro; e da ‘Stem for Life Foundation’, orientada para a área da terapia celular; destaque também para o envolvimento do programa STOQ – Science, Theology and the Ontological Quest – ciência, teologia e a busca ontológica – um projeto do Conselho Pontifício para a Cultura que tem como principal objetivo reforçar o diálogo entre a Ciência e a Fé.

O Papa Francisco alertou para os riscos de doenças “ligados às mudanças radicais da civilização moderna”, como o fumo, o álcool, as substâncias tóxicas que poluem o ar, a água e o solo”.

“Torna-se urgente uma maior sensibilidade de todos por uma cultura de prevenção para cuidar da saúde”, acrescentou.

O presidente da Cure Foundation considera que este é um congresso “único” que representa o mesmo, em termos de impacto internacional, que a conferência ‘Davos’ representa para o setor da Economia.

“Ao juntarmos a este nível decisores e agentes, e ao incluirmos também a voz dos pacientes, podemos descobrir caminhos efetivos para a implementação de uma estratégia global na área da saúde humana”, reforça Robin Smith.

JCP/OC

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