Francisco concedeu entrevista à revista «Mundo Negro», dos Combonianos
Cidade do Vaticano, 13 jan 2023 (Ecclesia) – O Papa projetou a sua próxima viagem a África, numa entrevista divulgada hoje, em que questiona a exploração do continente pelo mundo ocidental.
“Essa ideia de que a África existe para ser explorada é a coisa mais injusta que existe, mas está no inconsciente coletivo de muita gente, e deve ser mudada”, refere, em declarações à revista ‘Mundo Negro’, dos Missionários Combonianos.
O Papa vai visitar a República Democrática do Congo (RDC) e o Sudão do Sul, de 31 de janeiro a 5 de fevereiro, após ter adiado esta deslocação, em julho de 2022, devido a limitações físicas.
Esta será a 40ª visita apostólica internacional e a quinta viagem de Francisco ao continente africano, onde esteve em 2015, 2017 e 2019, por duas vezes, tendo passado, entre outros países, por Moçambique.
O Papa recorda que o seu primeiro “contacto forte” com África foi em Bangui, na República Centro-Africana, em 2015, onde abriu a porta do Ano Santo da Misericórdia.
“A África é original, a África bate-nos”, assinala, numa entrevista concedida no Vaticano.
Francisco questiona o que chama de “independência a meio caminho”.
“Dão-lhes a independência económica desde a base, mas guardam o subsolo para o explorar, vemos a exploração dos outros países que tomam os seus recursos”, precisa.
A 31 de janeiro de 2023 Francisco ruma a Kinshasa, onde se encontrará com o presidente da República da RDC, Félix Tshisekedi, autoridades, representantes da sociedade civil e do corpo diplomático.
No dia seguinte, o Papa preside à Missa no aeroporto da cidade; à agenda prevê dois encontros, na nunciatura, com as vítimas da violência no leste da RDC e com representantes de algumas obras de caridade.
A 2 de fevereiro, Francisco encontra-se com jovens e catequistas e preside a um momento de oração com sacerdotes, diáconos, consagrados e seminaristas.
O Papa parte para o Sudão do Sul no dia seguinte, iniciando uma “peregrinação ecuménica de paz”, em que se encontra com responsáveis da Igreja Católica, líderes políticos do país, deslocados internos e membros de várias confissões cristãs.
A oração ecuménica, a 4 de fevereiro, e a Missa no dia seguinte são celebradas no Mausoléu de John Garang.
“Tenho vontade de cumprir essa viagem quanto antes”, admite o pontífice.
Francisco comenta o seu itinerário e sublinha que a RDC “está a sofrer atualmente com a guerrilha, por isso não vou a Goma, não posso ir”, destacando que o faz para “cuidar das pessoas”.
A entrevista aborda a realidade missionária e distingue a evangelização do proselitismo, destacando a necessidade de “respeitar as culturas”.
“A missão católica não faz proselitismo, mas anuncia o Evangelho de acordo com a cultura de cada lugar”, acrescenta.
OC