«A guerra nasce dentro de nós, quando a suspeita toma o lugar da confiança» – Leão XIV

Cidade do Vaticano, 27 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje o segundo consistório extraordinário do seu pontificado com um alerta sobre a violência e um apelo ao desenvolvimento da reflexão teológica sobre a legitimidade da guerra em resposta a agressões.
“Antes de se manifestar na história, a guerra nasce dentro de nós, quando a suspeita toma o lugar da confiança, o medo substitui a esperança e o outro é percebido como uma ameaça”, disse o Papa, perante cardeais dos cinco continentes, reunidos no Vaticano.
Leão XIV sustentou que a beligerância global ultrapassa o mero confronto armado, nascendo de uma “cultura do poder” que contamina o pensamento político, económico e tecnológico da sociedade.
“Se esta é a raiz da crise, a resposta exige reconstruir uma cultura da cooperação e do diálogo, capaz de dar novo vigor ao multilateralismo”, advertiu o pontífice.
O Papa defendeu a urgência de uma atitude pacífica para travar a escalada de agressões internacionais, garantindo que esta é uma postura “profundamente evangélica”.
A resposta não-violenta, precisou, “não consiste na renúncia ao conflito nem numa atitude passiva, mas na escolha de o enfrentar sem reproduzir a sua lógica”.
“Deus deseja a paz para cada nação e para cada povo. Por isso não nos podemos resignar à violência”, declarou,
A intervenção sublinhou que o perdão continua a ter espaço na história, exortando os líderes a terem “coragem” para percorrer novos caminhos de reconciliação e ajudar o mundo a reconhecê-los.
Leão XIV convidou os cardeais a desenvolver a reflexão sobre a “legítima defesa”, exigindo o necessário “rigor teológico e pastoral” face às transformações da guerra moderna.
A intervenção confessou particular inquietação com as novas gerações, sublinhando o sofrimento agudo que conduz a juventude “ao desespero, e por vezes ao desespero extremo de tirar a própria vida”.
O Papa pediu que as comunidades católicas transformem a Doutrina Social num critério ordinário de formação, promovendo espaços seguros de escuta onde seja possível “redescobrir juntos” o bem comum.
A reunião de cardeais decorreu desde sexta-feira, procurando respostas pastorais às divisões globais.
A agenda de trabalhos incluiu a discussão sobre a superação da teoria da “guerra justa”.
A metodologia do encontro dividiu os participantes em pequenos grupos para uma “escuta partilhada”, com intervenções individuais limitadas a três minutos e sem declarações à imprensa.
O programa oficial encerra-se na segunda-feira, com a Missa da solenidade de São Pedro e São Paulo.
Leão XIV decidiu convocar os cardeais, pela primeira vez, em janeiro deste ano, num encontro destinado a estabelecer prioridades para a Igreja Católica.
O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores.
OC
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