Francisco convida a assumir «valores específicos de cada povo» na Liturgia

Cidade do Vaticano, 02 dez 2020 (Ecclesia) – O Papa enviou esta terça-feira uma mensagem em vídeo para a apresentação de um livro sobre o Rito Congolês da celebração da Missa, convidando a assumir os “valores específicos de cada povo” na Liturgia.

“O rito congolês da celebração eucarística valoriza as diferentes linguagens, cores, movimentos do corpo, que interagem potenciando todas as dimensões da personalidade dos fiéis, tendo sempre em consideração os valores específicos de cada povo”, referiu Francisco.

O pontífice assina ainda o prefácio do volume “O Papa Francisco e o ‘Missal Romano para as dioceses do Zaire'”, publicado pela livraria do Vaticano, que apresenta “o único rito inculturado da Igreja Latina aprovado após o Concílio Vaticano II”.

“Este processo de inculturação litúrgica no Congo é um convite a valorizar os diferentes dons do Espírito Santo, que são uma riqueza para toda a humanidade”, indica o Papa.

O Rito Congolês da celebração da Missa foi aprovado em 1988 pela Congregação para o Culto Divino (Santa Sé).

Em dezembro de 2019, o Papa presidiu à Eucaristia em rito congolês, no Vaticano.

Francisco fala num “exemplo de inculturação litúrgica”, para apontar depois à Amazónia, sublinhando a necessidade de “reunir na Liturgia muitos elementos próprios da experiência dos indígenas, no seu íntimo contacto com a natureza”.

“O caso do rito congolês sugere um caminho promissor também para a eventual elaboração de um rito amazónico, dado que são entendidas as exigências culturais de uma determinada área do contexto africano, sem perturbar a natureza do Missal Romano, como garantia de continuidade com a tradição antiga e universal da Igreja”, escreve.

Segundo o Papa, a Liturgia deve “tocar o coração dos membros da Igreja local e ser sugestiva”.

O Sínodo especial de 2019 apelou à criação de um “rito amazónico”, que o Papa assumiu na exortação “Querida Amazónia”.

“O Concílio Vaticano II solicitara este esforço de inculturação da liturgia nos povos indígenas, mas passaram-se já mais de cinquenta anos e pouco avançamos nesta linha”, escreveu.

OC

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