«Escutar, aprofundar, contar» são os três verbos do jornalismo

Cidade do Vaticano, 13 nov 2021 (Ecclesia) – O Papa Francisco distinguiu hoje com as insígnias da Grã-Cruz da Ordem Pia dois jornalistas vaticanistas e disse que os verbos escutar, aprofundar, contar devem marcar o jornalismo.

Valentina Alazraki e Philip Pullella foram os dois jornalistas distinguidos pelo Papa, após quatro décadas de trabalho em Roma e no Vaticano, que os considerou “companheiros de viagem” por causa dos recorrentes encontros nas viagens apostólicas.

“Quantas experiências compartilhadas, quantas viagens, quantos eventos”, referiu o Papa quando se dirigiu aos jornalistas participantes na audiência, referindo que ao distinguir os dois vaticanistas quis “prestar homenagem a toda a sua comunidade de trabalho”.

“O jornalismo não acontece por escolha de uma profissão, mas assumindo uma missão, como um médico, que estuda e trabalha para que, no mundo, as doenças sejam curadas”, afirmou.

O Papa disse que “a missão do jornalista é explicar o mundo, torná-lo menos obscuro, fazer com que as pessoas tenham menos medo e possam olhar para os outros com maior consciência e também com mais confiança”.

“É uma missão difícil”, disse Francisco, encorajando cada jornalista a “preservar e cultivar esse sentido de missão”.

Para o Papa, o bom jornalismo deve fundamentar-se em três verbos: “escutar, aprofundar, contar”.

“Para um jornalista, escutar significa ter a paciência de se encontrar frente a frente com as pessoas a serem entrevistadas, os protagonistas das histórias que estão a ser contadas, as fontes das quais receber as notícias”, lembrou.

“Escutar anda sempre de mãos dadas com o ver, com estar presente: certas nuances, sensações, descrições bem fundamentadas só podem ser transmitidas aos leitores, ouvintes e espectadores se o jornalista tiver escutado e visto por si mesmo”

Para o Papa, o jornalista tem também de aprofundar o que escutou e investiga, sobretudo na atualidade “em que milhões de informações estão disponíveis na internet e muitas pessoas obtêm as suas informações e formam suas opiniões nas redes sociais, onde infelizmente às vezes prevalece a lógica da simplificação e da contraposição”.

“A contribuição mais importante que o bom jornalismo pode dar é a de um aprofundamento”, indicou o Papa, referindo-se depois à missão de “contar” do jornalista.

“Contar significa não se colocar em primeiro plano, nem se colocar como juiz, mas deixar-se impressionar e às vezes sofrer pelas histórias que encontramos, a fim de poder contá-las com humildade aos nossos leitores”, referiu.

O Papa recordou que “a realidade é um grande antídoto para muitas ‘doenças’” e disse que “o que acontece, as vidas e os testemunhos das pessoas, são o que merece ser contado”.

Francisco agradeceu também aos jornalista que dizem a verdade sobre “o que está errado na Igreja” e por terem dado voz “às vítimas de abusos”.

“Obrigado, queridos amigos, por este encontro. Obrigado e parabéns aos nossos dois ‘decanos’, que hoje se tornam ‘Dama’ e ‘Cavaleiro’ da Grã Cruz da Ordem Pia. Obrigado a todos vocês pelo trabalho que fazem. Obrigado por sua busca da verdade, porque somente a verdade nos liberta”, concluiu o Papa.

PR

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