Vaticano: Papa deseja que JMJ Seul 2027 seja «um grande encontro entre memória e futuro»

Leão XIV pediu a padres e freiras sul-coreanos que «ajudem» os jovens a descobrir que «seguir Cristo não diminui a liberdade»

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 05 out 2026 (Ecclesia) – O Papa disse que deseja que a JMJ Seul 2027 seja “um grande encontro entre memória e futuro” a padres e freiras coreanos, residentes em Roma, pedindo que “ouçam os jovens”, na audiência realizada hoje, dia 5 de outubro.

“Um grande encontro entre a memória e o futuro: os mártires transmitem a fé às novas gerações e os jovens a recebem para levá-la pelas estradas do mundo”, pediu Leão XIV, na intervenção à Vida Consagrada da Coreia do Sul, esta segunda-feira, citado pelo portal online ‘Vatican News’.

A Arquidiocese de Seul, na capital da Coreia do Sul, vai receber a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Seul, de 3 a 8 de agosto de 2027, com o tema ‘Tende coragem: Eu venci o Mundo!’ (Jo 16:33).

O Papa destacou que os jovens vão chegar de todas as partes do mundo a uma terra “onde o Evangelho cresceu por meio do testemunho dos mártires”.

“Ouçam os jovens, caminhem com eles e ajudem-nos a descobrir que seguir a Cristo não diminui a liberdade, mas a torna plena; que a fé não restringe a vida, mas abre para ela um horizonte mais amplo.”

Foto: Vatican Media

Leão XIV pediu aos padres e freiras sul-coreanos, residentes em Roma, que “preparem a JMJ com paixão – como já fazem –, guardando no coração as palavras: ‘Tenham coragem: eu venci o mundo!’ (Jo 16,33).

“Seus mártires compreenderam isso: a esperança deles não dependia de circunstâncias favoráveis, mas da certeza de que Cristo já havia vencido”, acrescentou.

A edição coreana da JMJ Seul 2027 é a primeira Jornada Mundial da Juventude num país onde os cristãos são uma minoria, e é a segunda jornada na Ásia; a edição internacional da JMJ regressar a este continente 32 anos depois de Manila 1995 (10-15 de janeiro), nas Filipinas, que detém o recorde de participantes, estimado em mais de 5 milhões.

Aos representantes da Vida Consagrada da Coreia em Roma, pessoas que “vêm de longe, é verdade, mas aqui estão em casa”, salientou o Papa, explicando que a fé que receberam na terra natal “encontra suas raízes” junto às memórias dos Apóstolos Pedro e Paulo, dando um “novo ímpeto missionário”.

“A força para viver assim vem da amizade com Jesus Cristo, abre à fraternidade”, que deve ser alimentada “na Eucaristia, na escuta da Palavra, na oração e no silêncio diante do Senhor”, indicou Leão XIV, que afirmou a importância de procurarem ser artífices da paz, numa terra que “ainda carrega a dolorosa ferida da divisão”.

“Peço que sejam sempre homens e mulheres da reconciliação. A paz começa no coração e nas relações quotidianas, quando ouvimos em vez de julgar, perdoamos em vez de guardar rancor, escolhemos a comunhão em vez do confronto. Sejam unidos e sejam artífices da paz.”

“Continuemos a nos empenhar e a rezar para que se abram novos caminhos de encontro e para que o Evangelho da paz possa ser anunciado livremente em todas as partes da Península Coreana e do mundo”, acrescentou, na audiência na Sala Clementina.

Leão XIV começou o discurso saudando o grupo de 170 sacerdotes, religiosos e religiosas em língua original coreana, e destacou os 25 anos de inauguração da sede do Colégio Pontifício Coreano, informa o sítio online ‘Vatican News’.

Foto: Vatican Media

O Papa recordou a história “singular” da Igreja Católica na Coreia do Sul, que conta com cerca de 5,97 milhões de fiéis, aproximadamente 11,3% da população total do país, o testemunho dos mártires que fizeram parte de uma longa história – marcada por perseguições, guerras, pobreza e divisões – com o Venerável Tomás Choe Yang-Eop (1821–1861), “o segundo sacerdote da história coreana, lembrado como o ‘mártir do suor’”.

 “Nosso tempo precisa exatamente disso: de homens e mulheres que tenham a coragem de fazer o bem, mesmo quando isso custa. Aproximem-se daqueles que estão sozinhos, apoiem quem está cansado, procurem quem se afastou. Tenham a coragem de perdoar, de recomeçar, de dialogar. O bem nem sempre é reconhecido e muitas vezes exige esforço, mas é essa coragem cotidiana da caridade que torna credível o nosso anúncio do Evangelho.”

CB

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