Leão XIV rejeita teses de «humanismos pós-cristãos»

Cidade do Vaticano, 23 set 2026 (Ecclesia) – O Papa defendeu hoje que o avanço técnico-científico só cumpre o seu propósito quando é animado pela caridade e colocado ao serviço da dignidade humana, rejeitando a ideia de que a evolução da humanidade exija um afastamento de Deus.
“O progresso técnico e científico deve ser animado e orientado pela caridade. Só assim poderá estar sempre ao serviço da defesa da dignidade do homem e promover as condições de vida de todos, especialmente dos mais desfavorecidos”, referiu, durante a audiência geral a que presidiu na Praça de São Pedro.
Numa catequese dedicada à Constituição Pastoral ‘Gaudium et spes’, do Concílio Vaticano II (1962-1965), Leão XIV assinalou que alguns pensadores têm apresentado o progresso técnico-científico como “algo que enfraquece a relação com Deus”.
“Nos humanismos pós-cristãos, o ser humano e Deus são erroneamente apresentados como rivais: para afirmar os seus conhecimentos, a sua liberdade e o seu progresso, o homem deveria emancipar-se de Deus”, precisou.
A reflexão sustentou que a humanidade “não é absorvida nem anulada pelo encontro com Deus, mas sim assumida na sua totalidade”, convidando a preservar o “valor transcendente da pessoa humana”.
Leão XIV assinalou que o enorme esforço humano ao longo dos séculos para melhorar as condições de vida “corresponde à vontade de Deus” e que as vitórias do progresso manifestam a “grandeza” do desígnio divino.
“Longe de pensar que as obras do engenho e poder humano se opõem ao poder de Deus, ou de considerar a criatura racional como rival do Criador, os cristãos devem estar convencidos de que as vitórias do género humano manifestam a grandeza de Deus”, reiterou, citando o documento conciliar.
O Papa destacou a visão da Igreja sobre o trabalho como caminho de santificação, afirmando que para encontrar o divino não é necessário “abandonar as ocupações terrenas”.
“Os cristãos estão envolvidos, tal como todos os outros, na construção da cidade dos homens”, notou Leão XIV, lembrando que na celebração eucarística o pão e o vinho representam “o fruto do trabalho humano”.
No encerramento da reflexão, o pontífice deixou votos de que todos saibam “partilhar o pão do conhecimento e do saber-fazer”, para que “cada homem e cada povo possa desenvolver o seu potencial e, juntos, possamos construir, com a ajuda de Deus, um futuro melhor”.
Na saudação aos peregrinos de língua portuguesa, Leão XIV deixou um apelo: “No desempenho das vossas atividades, defendei sempre a dignidade humana, promovei as condições de vida do próximo e ponde só em Deus toda a esperança”.
O Papa assinalou ainda, em inglês, que esta quinta-feira vai ser beatificado, nos EUA, o bispo Fulton Sheen (1895-1979).
“Que o exemplo e a intercessão deste santo bispo, conhecido pelo seu trabalho evangelizador através dos meios de comunicação social, inspirem muitos outros a encontrar, da mesma forma, novas formas de divulgar a mensagem do Evangelho com alegre entusiasmo”, apelou.
OC
