Leão XIV pede cuidado com os mais frágeis, em encontro com autarcas italianos

Cidade do Vaticano, 16 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa afirmou hoje, no Vaticano, que a missão de garantir a ordem pública visa mais do que a repressão “necessária” da criminalidade, apelando à proteção dos mais pobres e vulneráveis.
“A ordem pública não diz respeito apenas à luta necessária contra a criminalidade ou à prevenção de tumultos; exige também um compromisso tenaz contra as formas de violência, falsidade e vulgaridade que ferem o organismo social”, declarou Leão XIV, numa audiência aos presidentes dos municípios da República Italiana.
No encontro, que contou com a presença do ministro do Interior de Itália, Matteo Piantedosi, o pontífice sublinhou que uma cidade ordenada é aquela onde “os pobres encontram mais facilmente acolhimento, os idosos experimentam maior tranquilidade, melhoram os serviços destinados às famílias, aos doentes e aos jovens, favorecendo uma visão mais confiante do futuro.”.
Leão XIV quis ilustrar a convergência entre o serviço ao Estado e a autoridade espiritual, lembrando que o poder deve ser exercido como um “dever de cuidado” e não como “desejo de domínio”.
“Os funcionários públicos estão ao serviço exclusivo da nação”, recordou o Papa, citando a Constituição Italiana para reforçar que a autoridade deve ser exercida com “consciência íntegra”, temperando o rigor com a magnanimidade.
O discurso abordou também os desafios da modernidade, nomeadamente o impacto das novas tecnologias e da inteligência artificial na administração pública.
Segundo Leão XIV, estas ferramentas “devem ser cuidadosamente controladas, não só para proteger os dados pessoais, mas para o benefício de todos, sem requisições elitistas”.
A intervenção, divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé, destacou ainda a importância da colaboração entre o Estado e a Igreja, especialmente em situações de emergência e no acolhimento de migrantes.
“As relações construtivas que mantêm com os bispos diocesanos favorecem, em particular, o acolhimento dos migrantes e as muitas formas de apoio aos necessitados, que nos levam a trabalhar juntos na linha da frente”, observou.
O Papa concluiu encorajando os responsáveis políticos a serem um exemplo de dedicação para as novas gerações, contribuindo para “melhorar a imagem da burocracia” através de uma atenção virtuosa à sociedade.
OC
