«A sinodalidade é uma atitude, uma abertura, uma disponibilidade para compreender» – Leão XIV

Cidade do Vaticano, 26 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa apresentou hoje o método sinodal como uma exigência estrutural para o futuro da Igreja Católica, falando perante cardeais de todo o mundo, reunidos no Vaticano.
“Nenhum de nós é alheio às muitas formas de conflito, de opressão e de fratura que atravessam hoje as nossas sociedades. Por isso, o discernimento a que somos chamados diz respeito a todos e interpela as missões da Igreja em cada contexto”, indicou Leão XIV, na abertura das sessões de trabalho do consistório extraordinário que decorre até sábado.
O pontífice recusou que este processo de decisão represente “uma diminuição da autoridade”, argumentando que a implementação da metodologia sinodal ajuda a “guardar a comunhão” e a favorecer a participação das comunidades católicas.
“A sinodalidade não é, antes de tudo, um conjunto de procedimentos. Como tive oportunidade de referir várias vezes, a sinodalidade é uma atitude, uma abertura, uma disponibilidade para compreender”, precisou Leão XIV perante o Colégio Cardinalício, reunido no Auditório Paulo VI.
O Papa defendeu maior atenção ao modo como se “tomam as decisões e se exercem as responsabilidades, na transparência, na avaliação e na corresponsabilidade”.
“Aprendemos a sinodalidade praticando-a. Aprendemos juntos a crescer na comunhão”, sustentou,
A comunhão nunca é um resultado adquirido de uma vez por todas. Permanece uma conversão quotidiana que toma forma na oração e mediante atitudes concretas, relações de confiança e disponibilidade para nos escutarmos reciprocamente.”
O apelo papal surge em articulação com as diretrizes da Secretaria-Geral do Sínodo, que fixaram um roteiro de avaliação territorial destinado a consolidar a fase iniciada com a assembleia de 2021-2024.
Leão XIV sustentou no consistório que este dinamismo pode ser um motor da difusão da mensagem cristã.
“Quando aprendemos a escutar-nos, a partilhar juntos as responsabilidades, a reconhecer a ação do Espírito nas diversas Igrejas, não estamos apenas a melhorar o nosso modo de trabalhar: estamos a tornar-nos uma Igreja mais capaz de encontrar os homens e as mulheres do nosso tempo e de lhes testemunhar a alegria do Evangelho”, apontou o Papa.
O percurso global de discernimento ficará concluído com a Assembleia Eclesial, convocada para o mês de outubro de 2028, em Roma.
A metodologia do consistório extraordinário divide os cardeais em pequenos grupos para uma “escuta partilhada”, limitando as intervenções individuais a três minutos.
“Sei bem que para muitos de nós não é o modo habitual de realizar um consistório. E, no entanto, isto também faz parte do caminho ao longo do qual o Senhor nos está a conduzir”, assinalou Leão XIV.
Leão XIV decidiu convocar os cardeais, pela primeira vez, em janeiro deste ano, num encontro destinado a estabelecer prioridades para a Igreja Católica.
O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores.
OC
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