Francisco lamenta «ataques e insultos» gratuitos , admitindo que alguns já estavam a pensar na sua morte e sucessão, aquando da última intervenção cirúrgica

Cidade do Vaticano, 21 set 2021 (Ecclesia) – O Papa Francisco criticou quem quer “voltar atrás”, na Igreja, afirmando que a liberdade “assusta” muitos católicos.

“Sofremos isso hoje na Igreja: a ideologia do retrocesso. É uma ideologia que coloniza as mentes, é uma forma de colonização ideológica. Não é um problema verdadeiramente universal, mas antes específico das Igrejas de alguns países”, referiu, numa conversa com jesuítas eslovacos, em Bratislava, publicada hoje pela revista ‘La Civiltà Cattolica’, da Companhia de Jesus.

O encontro na capital eslovaca decorreu a 13 de setembro, com a presença de 53 participantes.

“Temos medo de avançar nas experiências pastorais. Penso no trabalho que foi feito no Sínodo sobre a família para deixar claro que os casais em segunda união não estão condenados ao inferno. Assusta-nos acompanhar pessoas com diversidade sexual”, assumiu o Papa.

Francisco começou por responder a uma pergunta sobre como se sentia, dois meses após uma intervenção cirúrgica ao cólon.

“Continuo vivo, embora alguns me quisessem morto. Sei que até houve encontros entre prelados que achavam que a situação do Papa era mais séria do que o que foi dito. Estavam a preparar o conclave. Paciência”, disse.

Eu continuo, não porque queira fazer uma revolução. Eu faço o que sinto que devo fazer. É preciso muita paciência, oração e muita caridade”.

A conversa abordou o que o pontífice chamou de “ataques e insultos” contra si, que ligou a quem gostaria de “voltar ao passado”.

“Dizem que falo sempre do social e que sou comunista. No entanto, escrevi uma Exortação Apostólica inteira sobre a santidade, a ‘Gaudete et exsultate’”, apontou.

Francisco rejeita a “ideologia de género”, por entender que ninguém pode “decidir abstratamente, à vontade, se e quando ser homem ou mulher”.

“Isso não tem nada a ver com a questão homossexual, no entanto”, acrescentou.

A conversa abordou a decisão de restringir uso do missal pré-Concílio Vaticano II, sublinhando que é fruto de uma “consulta” aos bispos de todo o mundo,

“Há jovens que, depois de um mês de ordenação, vão ao bispo para pedir autorização [para a celebração em rito antigo]. Este é um fenómeno retrógrado”, indicou.

O Papa falou ainda sobre a crise migratória, destacando que deixar quem sai da sua terra sem integração é “deixá-lo na miséria, equivale a não o acolher”.

“Precisamos de estudar bem o fenómeno e entender as suas causas, principalmente as geopolíticas”, recomendou.

OC

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