Francisco diz que católicos devem aprender a confiar-se ao «amor de Deus»

Cidade do Vaticano, 24 out 2021 (Ecclesia) – O Papa disse hoje no Vaticano que os católicos devem rezar sempre com insistência e de coração aberto, acreditando que Deus pode fazer “tudo” o que lhe pedirem.

“Deus escuta sempre o clamor dos pobres e não se incomoda de forma alguma com a voz de Bartimeu, pelo contrário, percebe que é cheia de fé, uma fé que não tem medo de insistir, de bater no coração de Deus, apesar das incompreensões e reprovações”, disse, num comentário à passagem do Evangelho que é lida este domingo nas igrejas de todo o mundo.

Francisco iniciou a sua reflexão dominical, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação do ângelus, comentando a cura do cego Bartimeu, por Jesus, como resultado de uma “fé” que transparece na oração, sem medo, invocando a “compaixão, a misericórdia de Deus, a sua ternura.

O Papa questionou os presentes sobre a “insistência” da sua oração, sublinhando que esta deve ser “substancial”, expondo o coração diante de Deus.

“Levo-lhe a história e os rostos da minha vida? Ou é anémica, superficial, feita de rituais sem afeto e sem coração? Quando a fé está viva, a oração é sincera: não pede pequenas mudanças, não se reduz às necessidades do momento”, precisou.

Francisco assinalou que muitos têm uma oração marcada pela timidez, preguiça ou descrença.

“Muitos de nós, quando rezamos, não acreditamos que o Senhor pode fazer o milagre”, acrescentou.

A intervenção evocou um episódio que o Papa viveu na Arquidiocese de Buenos Aires e de que tem falado várias vezes, no pontificado: a história do pai de uma filha de 9 anos, às portas da morte, que percorreu 70 quilómetros para ir a um Santuário mariano, onde passou toda a noite em oração, pedindo a cura da menina, o que veio a acontecer.

“O grito desse homem que pedia tudo foi ouvido pelo Senhor”, observou, afirmando que “a Jesus, que tudo pode, tudo deve ser pedido”.

Após a oração, o Papa evocou as figuras de duas novas beatas da Igreja Católica, nascidas na Itália: a irmã Lúcia Ripamonti, uma mulher “acolhedora”, que morreu com 45 anos, em 1954, “após uma vida gasta ao serviço do próximo, mesmo quando a doença a atingiu no corpo, mas não no espírito”; e Sandra Sabattini, estudante de Medicina que faleceu aos 22 anos em 1984, após um acidente de viação, “jovem alegre, animada por grande caridade e oração diária, que se dedicou com entusiasmo ao serviço dos mais fracos”.

“Olhemos para estas duas novas beatas como testemunhas que a anunciaram o Evangelho com a sua vida”, disse Francisco, ao pedir uma salva de palmas para elas.

OC

Partilhar:
Share