Discurso anual ao corpo diplomático prestou atenção particular a crises no continente africano

Foto: AIS

Cidade do Vaticano, 09 jan 2020 (Ecclesia) – O Papa condenou hoje no Vaticano o “flagelo” do terrorismo e pediu respeitou pela liberdade religiosa, numa intervenção perante diplomatas de mais de 180 países, alertando particularmente para crises no continente africano.

“Dói constatar como continuam – particularmente no Burquina Faso, Mali, Níger e Nigéria – episódios de violência contra pessoas inocentes, entre as quais muitos cristãos perseguidos e mortos pela sua fidelidade ao Evangelho”, denunciou, no encontro de apresentação de cumprimentos de Ano Novo.

Francisco convidou a comunidade internacional a apoiar os esforços que estes países estão a fazer na “luta para derrotar o flagelo do terrorismo, que está a cobrir de sangue partes cada vez mais extensas da África, bem como outras regiões do mundo”.

A intervenção, de cerca de 50 minutos, recordou a primeira visita de um Papa à Península Arábica (Emirados Árabes Unidos, fevereiro de 2019), na qual foi assinado um documento sobre a “Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, conjuntamente com o grande imã de Al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb.

Francisco disse que é necessário “condenar firmemente o uso do nome de Deus para justificar atos de homicídio, de exílio, de terrorismo e de opressão”, recorda a importância do conceito de “cidadania”, que se baseia na igualdade dos direitos e dos deveres.

Isto exige que seja respeitada a liberdade religiosa e se trabalhe para renunciar ao uso discriminatório do termo minorias, que traz consigo as sementes da sensação de isolamento e inferioridade e prepara o terreno para as hostilidades e a discórdia, discriminando os cidadãos com base na sua pertença religiosa”.

O Papa sublinhou a importância de “formar as gerações futuras no diálogo inter-religioso”, promovendo “o diálogo e a cultura do encontro para construir sociedades pacíficas, onde cada um possa expressar livremente a própria pertença étnica e religiosa”.

O discurso – que recordou a passagem por Moçambique – apelou à implementação de estratégias de segurança, redução da pobreza e melhorias no sistema de saúde dos países africanos, encorajando “as iniciativas que promovem a fraternidade entre todas as expressões culturais, étnicas e religiosas”.

“Os conflitos e as emergências humanas, agravadas pelas convulsões climáticas, aumentam o número dos deslocados e repercutem-se sobre as pessoas que já vivem em grave estado de pobreza”, alertou o Papa.

Francisco saudou depois a mobilização dos jovens em defesa do planeta, considerando que a causa da ecologia é “um desafio urgente” e está nas preocupações da Igreja Católica, como aconteceu no Sínodo especial dedicado à Amazónia (outubro de 2019).

A intervenção lamentou os poucos avanços da COP25, que se realizou em Madrid no último mês de dezembro, assinalando que o fenómeno do aquecimento global “requer uma resposta coletiva”.

OC

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