Em viagem para o Panamá, Francisco critica recurso a «muros» para travar migrantes

Lisboa, 23 jan 2019 (Ecclesia) – O Papa disse hoje durante a sua viagem para o Panamá que vai visitar o Japão, em novembro deste ano, esperando ainda poder deslocar-se ao Iraque.

“Irei ao Japão em novembro, preparem-se”, referiu Francisco a um jornalista japonês, que acompanha o voo para a América Central.

A agenda do Papa Francisco para 2019 incluía já quatro viagens internacionais, número que pode vir a superar o “recorde” de visitas no mesmo ano, que aconteceu em 2016, com seis deslocações.

Os destinos confirmados são o Panamá (23-28 de janeiro), para a Jornada Mundial da Juventude; os Emirados Árabes Unidos (3-5 de fevereiro), para participar no encontro inter-religioso internacional sobre a ‘Fraternidade Humana’; Marrocos (30-31 de março), onde vai passar pelas cidades de Rabat e Casablanca; e a Bulgária e República da Macedónia (5-7 de maio), viagem que se encerra na cidade natal da santa Madre Teresa de Calcutá (1910-1997).

O Papa tinha anunciado no dia 12 de setembro do último ano a sua intenção de visitar o Japão em 2019, falando aos membros de uma associação nipónica; a viagem ao Extremo Oriente poderia ser aproveitada para passagens históricas pela China e Coreia do Norte.

No voo para o Panamá, Francisco admitiu que gostaria de visitar o Iraque, onde recentemente esteve o seu secretário de Estado, mas os bispos locais consideram que ainda não é “seguro”.

Uma jornalista ofereceu ao pontífice um desenho do adolescente imigrante que morreu no Mar Mediterrâneo e que tinha o seu boletim escolar costurado nas suas roupas.

“O Papa ficou comovido e disse que gostaria de falar sobre isso na viagem de regresso”, adianta o portal Vatican News.

Respondendo a uma pergunta sobre os muros erguidos para deter os migrantes em Tijuana, na fronteira entre o México e os Estados Unidos da América, Francisco criticou o medo sentido em relação às migrações.

“É o medo que nos torna loucos”, advertiu.

Antes, Francisco tinha evocado o jornalista russo Alexei Bukalov, correspondente da agência TASS em Roma, falecido no último dia 28 de dezembro, aos 78 anos.

O Papa, visivelmente emocionado, falou de uma pessoa “de grande humanismo” e pediu um momento de silêncio, em memória do profissional.

OC

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