Mário Almeida coordena pastoral das migrações em África, em organismo da Santa Sé, e acompanha temas como «fluxos migratórios, crises sociais e políticas, conflitos armados e crise climática que provoca deslocados internos»

Lisboa, 09 ago 2021 (Ecclesia) – Mário Almeida, português que trabalha na Secção dos Migrantes e Refugiados, na Santa Sé, disse que os fluxos de deslocados internos são maiores dentro do continente africano do que rumo ao norte, concretamente, à Europa.

“Os fluxos migratórios sempre existiram. Pode parecer que por estarmos num mundo global, de comunicação e de fáceis deslocações, os fluxos são recentes, mas não. Em África, os fluxos migratórios não se destinam à Europa; A maioria desloca-se de um país para outro dentro do continente. O fluxo em direção a África do sul é muito maior do que aquele que quer entrar na Europa”, refere à Agência ECCLESIA o responsável pela pastoral das migrações em África, dentro da Secção dos Migrantes e Refugiados, que depende do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral da Santa Sé.

Ligadas à história humana, as migrações acontecem “independentemente das condições de um país de origem”, mas Mário Almeida reconhece haver “uma grande percentagem que o faz porque precisa de melhores condições de vida”.

“O Papa Francisco fala muito do direito a migrar e também no direito a não migrar, a poder continuar a sua terra. Por isso, todas as questões abordadas sobre as migrações num país são fundamentais. Se tivermos um mundo mais equitativo, com recursos partilhados, as pessoas não sentirão necessidade de emigrar”, acrescenta, em entrevista ao Programa ECCLESIA (RTP2) que é emitida esta segunda-feira.

Natural de Moçambique, Mário Almeida trabalhou na pastoral das migrações em África, nomeadamente no Serviço Jesuíta aos Refugiados e junto do agora cardeal Michael Czerny, que criou o “serviço dos jesuítas na área da Sida, em Nairobi” e que, mais recentemente, o chamou a trabalhar na Cúria Romana.

A Secção dos Migrantes e Refugiados depende administrativamente do cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério, mas em termos de orientações pastorais a Secção depende diretamente do Papa Francisco que assumiu a coordenação deste trabalho.

“Quinzenalmente o Papa reúne com os responsáveis da Secção, o cardeal Michael Czerny e o padre Fabio Baggio, onde dá as orientações pastorais que pretende que serão depois desenvolvidas e documentadas”, informa.

A Secção para os Migrantes e Refugiadas está dividida em regiões, que serão depois acompanhadas pelos colaboradores, cabendo a Mário Almeida a região africana, através de um acompanhamento das respostas que as Igrejas locais prestam.

“O meu trabalho principal é estar em contacto com as comissões que acompanham as migrações, em cada Conferência Episcopal em África Às vezes trata-se de uma comissão criada para o efeito, em outros países é a Cáritas outras ainda é a Comissão Justiça e Paz”, esclarece, informando que o importante é não multiplicar estruturas mas perceber que as que já existem “trabalham bem e dão as respostas necessárias”.

A atenção a cada Conferência Episcopal multiplica o acompanhamento a diferentes áreas relacionadas com as migrações: “Acompanhamos os fluxos migratórios, as crises sociais e políticas, os conflitos armados, a crise climática que provoca muitos deslocados”, permanecendo como “equipa de apoio para que as Igrejas locais possam ter o tema das migrações presente no seu trabalho”.

Acolher, proteger, promover e integrar são os verbos propostos pelo Papa Francisco para o trabalho pastoral nas migrações e são o eixo central da Secção dos Migrantes e Refugiados.

Mário Almeida acrescenta ainda a “participação” que preside à produção dos documentos que norteiam o trabalho local.

“Fazemos consultas a diversas organizações católicas e congregações religiosas que trabalham na área e às conferências episcopais. O documento passa por vários rascunhos e recebe o contributo destes participantes. O documento tem o contributo de pessoas que trabalham na área, que têm as mãos na massa”, esclarece.

PR/LS

A Igreja Católica em Portugal está a celebrar de 8 a 15 de agosto a 49ª Semana Nacional de Migrações, com o tema ‘Rumo a um nós cada vez maior’, incluindo a tradicional peregrinação ao Santuário de Fátima.

“É tempo de reconstruir a partir de um tempo forte de espiritualidade como aquele que nos oferece este santuário altar do mundo, onde sentimos que temos mãe a quem confiar as nossas angústias, chorar as nossas mágoas, retemperar as nossas energias, renovar a nossa esperança”, assinala Eugénia Costa Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM).

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, a OCMP destaca que a Peregrinação Nacional do Migrante e Refugiado ao Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 de agosto, o “coração desta semana”, vai ser presidida pelo cardeal Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo e presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE).

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