Papa presta homenagem ao seu predecessor e evoca « olhar continuamente dirigido para o horizonte de Deus»

Cidade do Vaticano, 29 jun 2021 (Ecclesia) – O Papa Francisco assinalou hoje no Vaticano o 70.º aniversário de sacerdócio de Bento XVI, seu predecessor, agradecendo pelo seu testemunho de vida e de oração pela Igreja.

“Hoje, assinala-se um aniversário que toca ao coração de todos nós: há 70 anos, o Papa Bento (XVI) era ordenado sacerdote. Para ti, Bento, querido pai e irmão, vai o nosso afeto, a nossa gratidão e a nossa proximidade”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus, na solenidade de São Pedro e São Paulo.

O momento foi sublinhado com várias salvas de palmas pela multidão que se reuniu na Praça de São Pedro.

O Papa emérito renunciou ao pontificado em fevereiro de 2013, um gesto histórico, mantendo uma vida reservada no antigo Mosteiro ‘Mater Eclesiae’, do Vaticano.

“Ele vive no mosteiro, um lugar desenhado para hospedar as comunidades contemplativas, aqui no Vaticano, para que rezassem pela Igreja. Atualmente, é ele o contemplativo do Vaticano, que gasta a sua vida rezando pela Igreja e pela Diocese de Roma, da qual é bispo emérito”, afirmou Francisco.

Obrigado, Bento, querido pai e irmão, obrigado pelo teu testemunho credível, obrigado pelo teu olhar continuamente dirigido para o horizonte de Deus. Obrigado”.

Neste 70.º aniversário, a Fundação Joseph Ratzinger-Bento XVI, do Vaticano, promove o lançamento de um novo livro sobre o Papa emérito.

A obra ‘Bento XVI. Vida e Desafios’ é assinada pelo jornalista Luca Caruso, com prefácio do arcebispo Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular do Papa emérito, o qual lamenta os preconceitos e deturpações que afetam a imagem do predecessor de Francisco.

Ao longo de dez capítulos, parte do momento atual, como Papa Emérito e da relação de Bento XVI com o Papa Francisco, até chegar ao nascimento numa pequena localidade da Baviera, a 16 de abril de 1927, passando pela II Guerra Mundial, a ordenação sacerdotal, o percurso académico e o serviço à Santa Sé.

“Não raras vezes, constrói-se uma imagem que não é capaz de mostrar a realidade da pessoa ou da obra, mas apenas uma representação fictícia que serve um propósito específico”, adverte o prefácio.

Segundo D. Georg Gaenswein, o livro acompanha “o leitor com sinceridade e competência nos caminhos percorridos por Joseph Ratzinger na sua longa vida”, como sacerdote, professor, arcebispo, cardeal, Sumo Pontífice e finalmente como Papa Emérito”.

“Mais de oito anos se passaram desde a conclusão do pontificado de Bento XVI, um período agora mais longo do que seu próprio pontificado. Em certo sentido, isso contribui para relê-lo com serenidade crescente, inserido no contexto de toda a sua vida, aproveitando a oportunidade para atingir a meta excecional do 70.º aniversário de sacerdócio”, escreve, num texto publicado pelo jornal ‘Avvenire’, da Igreja Católica na Itália.

O livro apresenta uma seleção de fotos, dos anos 30 até aos dias de hoje.

“Bento XVI vive a sua velhice não no sofrimento evidente da doença, mas na oração, na meditação, no diálogo com Jesus Cristo e na aceitação serena da fragilidade crescente e do distanciamento dos entes queridos, na expectativa do novo encontro com eles na vida eterna”, assinala o secretário pessoal.

A obra apresenta ainda depoimentos de amigos e colaboradores, incluindo o de vários cardeais.

Também hoje, na televisão pública italiana, vai ser transmitido o documentário ‘Bento XVI um revolucionário incompreendido’, assinado por Antonia Pillosio.

OC

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn (Alemanha), no dia 16 de abril de 1927, um Sábado Santo, e passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da Áustria.

Nos últimos meses da II Guerra Mundial (1939-1945), foi arrolado nos serviços auxiliares antiaéreos pelo regime nazi.

Juntamente com o seu irmão Georg, foi ordenado padre a 29 de junho de 1951; dois anos depois, doutorou-se em teologia com a tese ‘Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho’.

De 1962 a 1965, participou no Concílio Vaticano II como ‘perito’, após ter chegado a Roma como consultor teológico do cardeal Joseph Frings, arcebispo de Colónia.

Em 25 de março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de Munique e Frisinga; a 28 de maio seguinte, recebeu a sagração episcopal e escolheu como lema episcopal ‘Colaborador da verdade’.

O mesmo São Paulo VI criou-o cardeal, no consistório de 27 de junho de 1977.

São João Paulo II nomeou o cardeal Ratzinger como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de novembro de 1981.

No dia 19 de abril de 2005 foi eleito como o 265.º Papa, sucedendo a João Paulo II; a 11 de fevereiro de 2013, Dia Mundial do Doente e memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, anunciou a renúncia ao pontificado, com efeitos a partir do dia 28 do mesmo mês, uma decisão inédita em quase 600 anos de história na Igreja Católica.

A 28 de junho de 2016 fez-se história no Vaticano com o regresso do Papa emérito ao palácio apostólico, para uma homenagem por ocasião do seu 65.º aniversário de ordenação sacerdotal. 

A 18 de junho de 2020, o Vaticano anunciou que Bento XVI se tinha deslocado à Alemanha, para acompanhar o seu irmão, de 96 anos, naquela que foi a primeira vez que deixou a Itália desde a sua renúncia ao pontificado; monsenhor Georg Ratzinger viria a falecer no dia 1 de julho desse ano.

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