Vaticano: Igreja procura «respostas novas» para mudanças na vida familiar

Cimeira mundial chegou ao fim, abordando impacto da «Amoris Laetitia» na última década

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 14 out 2026 (Ecclesia) – O encontro internacional sobre os dez anos da exortação ‘Amoris laetitia’, que reuniu bispos de todo o mundo no Vaticano, durante uma semana, apelou à escuta das transformações conjugais e ao apoio às vítimas de violência doméstica.

“Quando dois jovens decidem casar-se, tornam-se vetores, nas suas gerações, das transformações do seu tempo”, afirmou monsenhor Philippe Bordeyne, presidente do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família, na conferência de imprensa final, que decorreu esta noite, na sala de imprensa da Santa Sé.

O coordenador dos especialistas apresentou os eixos do documento de síntese, intitulado ‘Juntos num mundo em mudança’, sublinhando que a Igreja procura manter um “olhar lúcido” e esperançoso sobre as alterações sociais, económicas e os desenvolvimentos humanos na vida matrimonial e sexual.

O teólogo recordou as palavras de Leão XIV para definir a Doutrina Social da Igreja não como uma “varinha mágica”, mas como uma “tradição viva que prepara para encontrar respostas novas para perguntas novas”.

Monsenhor Philippe Bordeyne apontou a necessidade de promover a proximidade e a “aprendizagem mútua” entre as comunidades católicas e as famílias, realidades que “se assemelham”, frisando que a tarefa dos pastores passa por escutar antes de julgar.

O padre Giacomo Costa, consultor da Secretaria-Geral do Sínodo, destacou por sua vez a urgência de prestar auxílio espiritual e concreto em situações de violência e abuso doméstico, pedindo um apoio “oportuno” que proteja as crianças e as pessoas vulneráveis.

O responsável pela metodologia do encontro referiu-se à importância de reduzir o estigma associado ao pedido de ajuda nos momentos de dificuldade e deu o exemplo dos lares que “constroem a paz” através do acolhimento de migrantes.

O religioso jesuíta defendeu que o compromisso familiar não se deve limitar às “relações mais estreitas”, alargando-se aos âmbitos político, económico e social, bem como ao envolvimento na formação dos padres.

O padre Giacomo Costa classificou o trabalho da assembleia como “intenso” e construtivo, assinalando que os últimos dias decorreram em proximidade espiritual com o Papa, operado na terça-feira por causa de um cancro no pulmão.

D. Charles Scicluna, arcebispo de Malta e secretário adjunto do Dicastério para a Doutrina da Fé, manifestou gratidão por o encontro ter recolocado “a família no centro da Igreja”, retomando o convite deixado por Francisco, em 2016, à “conversão pastoral”.

Nem todos os problemas podem ser resolvidos, mas a Igreja deve ser capaz de falar através da escuta”, declarou na conferência de imprensa o sacerdote nigeriano Stanislaus Chu Ilo, professor na Universidade DePaul, em Chicago (Estados Unidos da América), ao relatar a experiência de acompanhamento familiar.

Já o arcebispo de Guayaquil (Equador), cardeal Luis Gerardo Cabrera Herrera, identificou a oração, a comunhão, a formação e a missão como as quatro características dos lares, enquanto o casal Solange e Alisson Schila testemunhou um reforçado “sentido de pertença eclesial”.

O Papa apelou hoje ao protagonismo das famílias nas dioceses e prometeu apresentar reflexões sobre o encontro internacional, numa mensagem divulgada no encerramento dos trabalhos.

“De uma forma especial, espero que as famílias sejam sempre participantes ativas na vida e missão das vossas Igrejas locais e que elas vos ajudem a discernir os caminhos a seguir”, escreveu Leão XIV.

O encontro ‘Dez anos após Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje’, que reuniu no Vaticano, desde 7 de outubro, os chefes das Igrejas Orientais e os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, incluindo D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra.

OC

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