Papa levou felicitações ao seu antecessor, que completa 95 anos de idade a 16 de abril

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 13 abr 2022 (Ecclesia) – O Papa Francisco visitou hoje o seu antecessor, Bento XVI, para o felicitar pelo seu próximo aniversário natalícia, que se celebra no sábado.

“Esta tarde, pouco depois das 18h00, o Papa Francisco foi ao Mosteiro Mater Ecclesiae, para visitar o Papa emérito Bento XVI pelo seu 95.º aniversário. Depois de uma conversa curta e afetuosa, e depois de terem rezado juntos, o Papa Francisco voltou à Casa de Santa Marta”, refere uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, enviada aos jornalistas.

O portal ‘Vatican News’ refere que o atual Papa visita Bento XVI por altura da Páscoa e do Natal, desde o início do pontificado, em 2013.

O ‘Mater Ecclesiae’ é um mosteiro nos jardins do Vaticano, onde o Papa emérito vive desde maio de 2013, três meses depois da sua renúncia ao pontificado, assistido pelo seu secretário particular, o arcebispo Georg Gänswein, e um grupo de leigas da associação ‘Memores Domini’.

A 29 de junho de 2021, Francisco assinalou o 70.º aniversário de sacerdócio de Bento XVI, agradecendo pelo seu testemunho de vida e de oração pela Igreja.

“Obrigado, Bento, querido pai e irmão, obrigado pelo teu testemunho credível, obrigado pelo teu olhar continuamente dirigido para o horizonte de Deus. Obrigado”, disse, no Vaticano.

Nessa data foi lançada a obra ‘Bento XVI. Vida e Desafios’, assinada pelo jornalista Luca Caruso, com prefácio do arcebispo Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular do Papa emérito, o qual lamenta os preconceitos e deturpações que afetam a imagem do predecessor de Francisco.

“Não raras vezes, constrói-se uma imagem que não é capaz de mostrar a realidade da pessoa ou da obra, mas apenas uma representação fictícia que serve um propósito específico”, adverte.

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn (Alemanha), no dia 16 de abril de 1927, um Sábado Santo, e passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da Áustria.

Nos últimos meses da II Guerra Mundial (1939-1945), foi arrolado nos serviços auxiliares antiaéreos pelo regime nazi.

Juntamente com o seu irmão Georg, foi ordenado padre a 29 de junho de 1951; dois anos depois, doutorou-se em teologia com a tese ‘Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho’.

De 1962 a 1965, participou no Concílio Vaticano II como ‘perito’, após ter chegado a Roma como consultor teológico do cardeal Joseph Frings, arcebispo de Colónia.

Em 25 de março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de Munique e Frisinga; a 28 de maio seguinte, recebeu a sagração episcopal e escolheu como lema episcopal ‘Colaborador da verdade’.

O mesmo Paulo VI criou-o cardeal, no consistório de 27 de junho de 1977.

Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guaiaquil (Equador) de 16 a 24 de setembro; mo mês de outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

O Papa polaco nomeou o cardeal Ratzinger como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de novembro de 1981.

No dia 19 de abril de 2005 foi eleito como o 265.º Papa, sucedendo a João Paulo II; a 11 de fevereiro de 2013, Dia Mundial do Doente e memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, anunciou a renúncia ao pontificado, com efeitos a partir do dia 28 do mesmo mês, uma decisão inédita em quase 600 anos de história na Igreja Católica.

Bento XVI realizou 24 viagens ao estrangeiro, incluindo uma visita a Portugal, entre 11 e 14 de maio de 2010, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto; assinou três encíclicas e presidiu a três Jornadas Mundiais da Juventude, para além de ter convocado cinco Sínodos de Bispos, um Ano Paulino, um Ano Sacerdotal e um Ano da Fé.

Outra obra de grande impacto foi o livro-entrevista ‘Luz do Mundo’, de 2010, resultante de uma conversa com o jornalista alemão Peter Seewald, um registo sobre temas centrais do pontificado – as críticas ao relativismo e ao secularismo da sociedade ocidental, a preocupação com as questões bioéticas – aborto, eutanásia, investigação em embriões – e da família, para além da crise financeira e das questões ecológicas.

Face à crise provocada pelos casos abusos sexuais cometidos por membros do clero ou em instituições católicas de vários países, Bento XVI encontrou-se com vítimas em várias viagens, demitiu bispos e reformou a legislação da Igreja, neste campo.

A 28 de junho de 2016 fez-se história no Vaticano com o regresso do Papa emérito Bento XVI ao palácio apostólico, para uma homenagem por ocasião do seu 65.º aniversário de ordenação sacerdotal.

OC

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