Tema em destaque na edição deste domingo do programa «70×7»

Cidade do Vaticano, 22 mar 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco associou-se hoje à celebração do Dia Mundial da Água, promovida pelas Nações Unidas, e pediu que este recurso natural esteja disponível para todos.

“A água é o elemento mais essencial para a vida e da nossa capacidade de o guardar e partilhar depende o futuro da humanidade”, declarou, após a recitação do ângelus, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

“Encorajo a comunidade internacional a vigiar para que as águas do planeta sejam adequadamente protegidas e ninguém seja excluído ou discriminado no uso deste bem, que é um bem comum por excelência”, acrescentou.

O Papa convidou os presentes a recitar uma passagem do ‘cântico do irmão sol’, de São Francisco de Assis, em que se louva Deus pela “irmã água”.

O Dia Mundial da Água está em destaque no programa '70×7', emitido este domingo, na RTP2 (11h30).

A associação Quercus alerta para o interesse comercial que a água provoca e que embora o Governo negue “intenção de privatizar” o setor hídrico, “o caminho está a ser preparado”.

“Temos uma lei de limitação dos sectores que foi alterada, permitindo a iniciativa privada a estas atividades; por outro lado, curiosamente ou não, numa portaria que indica os sectores estratégicos para o país a água não está incluída. Isto coloca-nos algumas reticências sobre o que se pretende”, afirma Carla Graça, Vice-presidente da Quercus à Agência ECCLESIA no âmbito do Dia Mundial da Água que se assinala este domingo.

Se a privatização do setor poderá contribuir para a sua preservação e melhoria, Miguel Silva, diretor internacional da organização não-governamental TESE, alerta para a pressão económica em contexto sociais onde a população tem poucos rendimentos.

“Há uma franja da população que não tem abastecimento de água e precisa de todos os dias encontrar a água necessária para viver – os sem-abrigo, por exemplo, mas também parte da população, que já não é pequena, que nos últimos anos passou a não ter capacidade para pagar a água e luz nas suas casas”.

A TESE, que há sete anos desenvolve um projeto de potabilidade e abastecimento de água na cidade de Bafatá, na Guiné Bissau, afirma a importância de discutir na sociedade civil a privatização deste recurso e o seu impacto na vida das pessoas.

“É preciso ter consciência de que o desenvolvimento não acontece só nos países ditos em desenvolvimento, mas precisa de acontecer todos os dias em todos os países, inclusivamente no Ocidente e na União Europeia”.

Como setor estratégico que representa Carla Graça adverte para o “interesse comercial” da água, ocasionando “empresas determinadas em negociar” e em esquecer um bem “de interesse público”.

“As águas superficiais são de domínio público, daí a necessidade de concessão e nos contratos de concessão que agora existem o risco está sempre do lado público, não há uma repartição equitativa do risco entre a entidade privada que vai explorar e a entidade pública”.

O grupo missionário Onjoyetu, da diocese de Leiria – Fátima está há 15 anos a acompanhar uma comunidade de cerca de 25 mil pessoas, na diocese do Sumbe, em Angola, apostando na promoção da sua qualidade de vida através da construção de manilhas que permite a distribuição de água potável.

“Isto permite na época das chuvas e durante um tempo largo, após a época das chuvas, permite que haja água de melhor qualidade. Por outro lado este projeto, e começar pelas infraestruturas da missão leva o povo a acreditar que é possível termos uma realidade melhor”, explica o sacerdote missionário David Nogueira.

HM/LS/OC

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