«Com o diabo nunca se dialoga», sublinha o Papa no primeiro domingo da Quaresma

Angelus

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 21 fev 2021 (Ecclesia) – O Papa disse hoje no Vaticano que “com o diabo nunca se dialoga”, assinalando o primeiro domingo da Quaresma, antes de iniciar a sua semana anual de exercícios espirituais, em 2021 de forma privada, devido à pandemia.

“Gostaria de sublinhar isto: nas tentações, Jesus nunca dialoga com o diabo. Nunca. Na sua vida, Jesus nunca dialogou com o diabo, nunca”, referiu, desde a janela do apartamento pontifício, na recitação dominical do ângelus.

Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco sublinhou que Jesus responde às tentações com três passagens da Escrituras.

“Com o diabo nunca se dialoga, não há diálogo possível, somente a Palavra de Deus”, insistiu.

No primeiro domingo do tempo de preparação para a Páscoa, o Papa convidou os católicos a multiplicar os momentos de oração, de silencio e de interioridade.

“Não tenham medo. Somos chamados a percorrer os caminhos de Deus, renovando as promessas do nosso Batismo: renunciar a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas seduções”, apontou.

A reflexão centrou-se no relato do Evangelho segundo São Marcos, no qual se assinala que Cristo, antes de iniciar a sua pregação, se retirou quarenta dias no deserto, onde foi tentado por Satanás.

“O Espírito Santo, que desceu sobre ele imediatamente após o batismo recebido de João, no rio Jordão, o mesmo Espírito empurra-o agora para ir ao deserto, para enfrentar o tentador. Para lutar contra o diabo. Toda a existência de Jesus é colocada sob o sinal do Espírito de Deus, que o anima, inspira e guia”, precisou.

Francisco realçou a simbologia do deserto, na Bíblia, como lugar “onde Deus fala ao coração do homem” e também como “lugar da prova e da tentação”.

“Precisamos de estar cientes da presença deste inimigo astuto, interessado na nossa condenação eterna, no nosso fracasso, e preparar-nos para nos defendermos dele e lutar contra ele. A graça de Deus assegura-nos, com fé, oração e penitência, a vitória sobre o inimigo”, concluiu.

O Papa inicia hoje a semana anual de a semana dos exercícios espirituais, durante a qual todos os compromissos públicos são suspensos, incluindo a audiência geral de quarta-feira.

A tradicional celebração comunitária deste tempo de oração e reflexão com os colaboradores da Cúria Romana, durante a Quaresma, foi cancelada este ano devido à pandemia, pelo que decorrem este ano de forma privada.

O Papa ofereceu um livro de espiritualidade aos seus colaboradores mais diretores, antecipando os tradicionais exercícios: Francisco escolheu a obra ‘Abbi a cuore il Signore’ (Tende o Senhor no coração), de um manuscrito antigo de um um monge cisterciense anónimo, conhecido como ‘Mestre de S. Bártolo’, organizado pelo padre jesuíta Daniele Libanori.

“Querido irmão, este ano teremos a graça de poder contar com um pregador para os exercícios. A situação atual impede o ajuntamento de pessoas e por isso não poderemos ir juntos à Casa de Exercícios [de Aricci, ndr]. Cada um de nós tomará esses dias para fazer os exercícios espirituais onde lhe for mais conveniente”, recomenda o Papa, numa carta que acompanha a oferta do livro.

“Uno-me a todos fazendo os meus exercícios em casa”, acrescenta.

Em janeiro, o Vaticano anunciou que a tradicional celebração comunitária dos exercícios espirituais da Cúria Romana, durante a Quaresma, foi cancelada este ano devido à pandemia.

A sala de imprensa da Santa Sé sublinha que a decisão foi tomada em função da “emergência sanitária atual”.

Durante a semana dos exercícios espirituais, até 26 fevereiro, todos os compromissos do Papa vão ser suspensos, incluindo a audiência geral de quarta-feira.

Desde 2014, por decisão de Francisco, este encontro decorria fora do Vaticano, de forma comunitária, na Casa do Divino Mestre, em Ariccia, arredores de Roma.

OC

Notícia atualizada às 21h00

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