Prefeito da Congregação para o Clero considera que a solução mais normal passa pela dispensa do ministério

Cidade do Vaticano, 27 fev 2019 (Ecclesia) – O cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero (Santa Sé), explicou hoje em entrevista ao portal ‘Vatican News’ as diretrizes do Dicastério para os casos dos sacerdotes do rito latino que têm filhos.

O responsável sublinha que a Santa Sé segue, desde o pontificado de Bento XVI (2005-2013), a prática de dispensar padres com menos de 40 anos, “com o objetivo de salvaguardar o bem da prole, isto é, o direito das crianças de ter ao seu lado um pai e uma mãe”.

O portal de notícias do Vaticano recorda que, nos últimos dias, esteve em Roma o psicoterapeuta Vincent Doyle, filho de um padre católico irlandês e fundador da “Coping Internacional”, associação para a defesa dos direitos de crianças por padres católicos em todo o mundo.

Foi Doyle a falar publicamente de um documento da Congregação para o Clero, de uso interno, com diretivas para os casos de sacerdotes com filhos.

O prefeito da Congregação para o Clero assinala que, nestes casos, não está em causa apenas o “necessário apoio económico”.

“O que deve acompanhar o crescimento de uma criança é, acima de tudo, o afeto dos pais, uma educação adequada, de facto, tudo o que envolve um exercício eficaz e responsável da paternidade, especialmente nos primeiros anos de vida”, sustenta o cardeal Stella.

A ‘Nota relativa à prática da Congregação para o Clero sobre os clérigos com os filhos’ recolhe e sistematiza “a prática vigente há anos” no Dicastério, sendo apresentado como um texto “técnico” para os colaboradores deste organismo da Cúria Romana.

“Uma situação deste tipo é considerada ‘irreversível’ e exige que o padre abandone o estado clerical, mesmo que o próprio se considere apto para o ministério. Um cálculo aproximado dos pedidos de dispensa revela que cerca de 80 dos mesmos envolvem a presença de filhos”,refere D. Beniamino Stella.

O responsável da Cúria Romana admite que as “incertezas nesta matéria nascem da resistência dos sacerdotes em pedir a dispensa” e, por vezes, do desejo de alguns bispos de oferecer aos padres “uma nova oportunidade ministerial”.

“Nestas situações, o Dicastério não obriga os bispos a convidar os sacerdotes a pedir a dispensação”, acrescenta.

Segundo o colaborador do Papa, o importante é que o sacerdote “seja capaz de compreender qual é a sua responsabilidade diante dos seu filho: o seu bem e o seu cuidado devem estar no centro da atenção da Igreja, não só para que não apenas falte aos filhos o necessário para viver, mas acima de tudo o papel educativo e o afeto de um pai”.

OC

 

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