Aniversário celebrado com as limitações impostas pela pandemia

Cidade do Vaticano, 16 abr 2021 (Ecclesia) – O Papa emérito Bento XVI assinala hoje o seu 94.º aniversário, tornando-se assim o primeiro pontífice católico a completar essa idade.

A celebração decorre num momento de isolamento social por causa da pandemia de Covid-19, pelo segundo ano consecutivo.

Embora persistam incertezas quanto aos dados dos pontificados dos primeiros séculos, Bento XVI ultrapassou, em longevidade, os Papas que mais anos viveram, até hoje, Celestino III (1105-1198) e Leão XIII (1810-1903); os dois pontífices faleceram aos 93 anos.

Bento XVI renunciou ao pontificado há oito anos, um gesto histórico, mantendo uma vida reservada no antigo Mosteiro ‘Mater Eclesiae’, do Vaticano, de onde saiu para despedir-se, em 2020, do seu irmão mais velho, que viria a falecer.

A 1 de março, o Papa emérito concedeu uma entrevista ao jornal italiano ‘Corriere della Sera’ na qual rejeitava o que denominou de “teorias da conspiração” sobre a sua renúncia ao pontificado, em fevereiro de 2013.

“Foi uma decisão difícil, mas tomei-a em plena consciência, e creio que fiz bem. Alguns dos meus amigos algo ‘fanáticos’ ainda estão zangados, não quiseram aceitar a minha escolha”, admite.

“Não há dois Papas, o Papa é só um”, acrescenta Bento XVI, oito anos após o final do seu pontificado, sublinhando que a sua decisão foi ponderada.

O Papa emérito lamenta que, após a sua renúncia, tenham surgido “teorias da conspiração”.

“Houve quem tivesse dito que foi por culpa do escândalo do ‘Vatileaks’, por causa de um complô do ‘lobby gay’, por causa do caso com o teólogo conservador lefebriano Richard Williamson. Não querem acreditar numa opção tomada conscientemente. Mas a minha consciência está no seu lugar”, realçou.

No último dia 14 de janeiro, o Bento XVI foi vacinado contra a Covid-19, partilhando a “preocupação com a pandemia”, disse o seu secretário particular, em declarações ao portal de notícias do Vaticano.

D. Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia, sublinhou o impacto do primeiro Natal que o Papa emérito viveu sem o seu irmão, mons. Georg Ratzinger.

O arcebispo alemão referiu que Bento XVI está fisicamente frágil, mas lúcido.

A 18 de junho de 2020, o Vaticano anunciou que o Papa emérito se tinha deslocado à Alemanha, para acompanhar o seu irmão, de 96 anos, naquela que foi a primeira vez que deixou a Itália desde a sua renúncia ao pontificado.

Monsenhor Georg Ratzinger viria a falecer no dia 1 de julho do ano passado.

Antes, no início de maio, chegou ao público uma biografia do Papa emérito Bento XVI, que aborda a vida de Joseph Ratzinger ao longo de mais mil páginas, incluindo uma entrevista inédita que fala em “ditadura mundial” de um credo anticristão.

Em passagens da conversa com o jornalista Peter Seewald, autor de várias entrevistas a Joseph Ratzinger, o Papa emérito alerta para o impacto de “ideologias aparentemente humanistas”, lamentando que alguns o queiram “calar”, fruto de uma “distorção maligna da realidade”.

O livro ‘Bento XVI – Uma Vida’ destaca a amizade do Papa emérito com o seu sucessor, Francisco, sublinhando que apesar de polémicas que os queriam colocar em campos opostos, a relação “não apenas persistiu, como cresceu”.

OC

 

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