Conselho Feminino, no setor da Cultura, é «uma bela novidade» na Cúria Romana, afirmou

Foto Epa/Lusa

Cidade do Vaticano, 08 out 2020 (Ecclesia) – O Papa Francisco destacou hoje a importância da “voz feminina” em diferentes ambientes sociais, numa mensagem ao Conselho Feminino do Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé), que representa “uma bela novidade” na Cúria Romana.

“As mulheres são protagonistas de uma Igreja em saída, através da escuta e do cuidado que manifestam com as necessidades dos outros e, com uma marcada capacidade de sustentar dinâmicas de justiça num clima de ‘calor doméstico’, nos diferentes ambientes sociais em que se encontram para trabalhar”, escreveu o Papa.

Na sua mensagem, divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, Francisco destacou que “escuta, meditação, ação amorosa” são “elementos constitutivos” de uma alegria que se renova e se comunica aos outros, “através do olhar feminino, no cuidado da Criação, na gestação de um mundo mais justo, na criação de um diálogo que respeite e valorize as diferenças.”

O Papa assinalou que o Conselho Feminino do Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé) é construído por “mulheres empenhadas em diferentes setores da vida social” e portadoras de “visões culturais e religiosas do mundo” que, embora diferentes, “convergem para o objetivo de trabalhar em conjunto com respeito mútuo”.

Francisco desejou que as mulheres do Conselho Feminino sejam “portadoras de paz e de renovação”, que sejam uma presença que, com humildade e coragem, “saiba compreender e acolher a novidade e gerar a esperança de um mundo fundado na fraternidade”.

“Na história da salvação é uma mulher que acolhe a Palavra”, observou o Papa, referindo que são as mulheres que esperam e proclamam a ressurreição.

Com data de 1 de outubro, a mensagem do Papa foi divulgada por ocasião do seminário ‘As mulheres leem Papa Francisco: Leitura, reflexão e música’, uma série de encontros que começam com o tema da exortação ‘Evangelii Gaudium’, depois a encíclica ‘Laudato si’ e o documento sobre a Fraternidade Humana pela Paz Mundial e a Convivência Comum.

Textos dedicados “aos temas da evangelização, da criação e da fraternidade”, acrescentou Francisco, que destacou que o seminário pretende “criar um diálogo entre intelecto e espiritualidade, entre unidade e diversidade, entre música e liturgia, com um objetivo fundamental, ou seja, a amizade e a confiança universal”.

“E vocês fazem isso com uma voz feminina que quer ajudar a curar, num mundo doente; As mulheres têm o dom de trazer uma sabedoria que sabe melhorar as feridas, perdoar, reinventar e renovar”, realçou.

O Papa salienta também que “é significativo” que conferência se realize sob a égide de “uma grande mulher que em 2012 foi proclamada Doutora da Igreja”, Santa Hildegarda de Bingen que, como São Francisco de Assis, compôs um “hino harmonioso” onde “celebra e louva o Senhor da criação e na criação”.

“Uniu conhecimento científico e espiritualidade. Por mil anos, ensinou com maestria homens e mulheres pelos seus escritos, comentários e a sua arte. Rompeu com os costumes da sua época, que impediam as mulheres de estudar e ter acesso às bibliotecas, e, como abadessa, exigia isso também para suas irmãs”, desenvolveu sobre a monja e mística alemã do século XII, que aprendeu a cantar e a compor música, que “era um meio de se aproximar de Deus” e “não era apenas uma arte ou ciência” mas “também uma liturgia”.

O Conselho Feminino do Conselho Pontifício para a Cultura do Vaticano é um organismo permanente para ouvir e valorizar a presença das mulheres e para a reflexão de grandes temas culturais, o espaço conta com representantes de várias confissões religiosas e não crentes.

“Pela primeira vez, um dicastério envolve um grupo de mulheres tornando-as protagonistas dos projetos e das linhas culturais que se estão a desenvolver, e não apenas para lidar com as questões da mulher”, assinalou o Papa, afirmando na mensagem que este Conselho Feminino é “uma bela novidade” dentro da Cúria Romana.

CB

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