No contexto dos 50 anos da declaração «Nostra Aetate», que teve origem no Concílio Vaticano II

Cidade do Vaticano, 15 dez 2015 (Ecclesia) – O Vaticano apresentou hoje em conferência de imprensa um novo documento sobre as relações entre católicos e judeus, por ocasião dos 50 anos da declaração “Nostra Aetate”, saída do Concílio Vaticano II.

Intitulado “Os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis”, o texto “procura enfatizar que cinco décadas depois, o diálogo com o Judaísmo está consolidado, pois durante este período foram feitos progressos significativos”.

O cardeal Kurt Koch, presidente da Comissão da Santa Sé para as Relações com os Judeus, e anfitrião da iniciativa, “deu conta da gratidão da Igreja Católica pelos esforços que têm sido feitos, de ambos os lados, para a promoção do diálogo”.

Aquele responsável salientou no entanto que “muitas questões ainda estão em aberto e requerem um estudo continuado”.

“É muito importante percebermos que, como o novo documento alerta e especialmente do ponto de vista teológico, ainda estamos só no início”, apontou o prelado.

 Ao longo de sete capítulos, o texto analisa o impacto da declaração “Nostra Aetate” no contacto entre as duas religiões, procurando atualizar e aprofundar os desafios que ainda se colocam.

 Entre outros, o documento refere questões como a interpretação da história da salvação e das escrituras e o mandato da Igreja Católica em evangelizar em relação com o judaísmo.

“Embora os judeus não possam crer em Jesus Cristo como seu redentor universal, eles tomam parte na salvação, porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis”, pode ler-se.

O texto sublinha ainda, no seu capítulo final, que “será através do diálogo fraterno que judeus e cristãos terão que entender-se uns aos outros, e procurar a reconciliação”.

Ambos os lados estão chamados a “comprometerem-se pela busca conjunta da justiça, da paz e do cuidado pela Criação, em erradicar em toda a linha o antissemitismo, intensificar a cooperação no auxílio aos mais pobres, aos mais vulneráveis e marginalizados, de modo a que possam ser, juntos, uma bênção para o mundo”, conclui o documento.

Presente na apresentação do texto, o rabi David Rosen, do Comité Judaico Americano, enalteceu a iniciativa da Santa Sé, classificando-a como “um testemunho de respeito” e mostrou-se convicto de que desta forma será possível consolidar a paz entre as duas comunidades e também na Terra Santa.

“As pessoas ali vivem num clima de mútua alienação e desilusão, e creio que a Igreja Católica pode desempenhar um papel importante na reconstrução da confiança”, declarou o responsável judaico, recordando a iniciativa de “oração conjunta pela paz” que o Papa Francisco promoveu em 2014, ao juntar no Vaticano os líderes de Israel e da Palestina.

JCP

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