Padre geral dos Combonianos e provincial da congregação no Uganda valorizam a «lição» da beatificação, em Kalongo, acompanhada pela Agência ECCLESIA

Henrique Matos, enviado especial da Agência ECCLESIA ao Ugando

Kalongo, Uganda, 20 nov 2022 (Ecclesia) – O superior provincial dos Missionários Combonianos no Uganda, padre Achilles Kiwanuka, disse à Agência ECCLESIA que  “a beatificação de Ambrosoli é um momento de renovação” e de novo “compromisso com a missão”.

EM declarações à Agência ECCLESIA em Kalongo, onde esta manhã foi celebrada a Missa de beatificação de Giuseppe Ambrosolli, o atual superior provincial dos Missionários Combonianos no Uganda afirma que o médico com o processo de canonização em curso é uma lição de vida para cada missionário porque foi um homem que dedicou a sua vida “a servir os mais pobres e abandonados”.

Foto Agência ECCLESIA/HM, padre Achilles Kiwanuka, superior provincial dos Missionários Combonianos no Uganda

O padre Achilles Kiwanuka considera que a beatificação de Ambrosoli não é apenas uma festa dos católicos, mas representa uma lição para o Uganda e para todo o continente africano onde a corrupção é ainda um flagelo a combater.

“Uma sociedade que serve na medida em que me sirvo a mim próprio, em que eu apenas faço coisas na medida em que os outros me retribuem. Ambrosoli serviu os outros sem se servir a sim próprio, um homem que deu o que tinha e o que sabia sem esperar o reconhecimento pelo seu trabalho”, afirmou.

Natural do uganda, superior provincial lembra que Ambrosoli não se limitou a amar simplesmente as pessoas, mas “confiou nelas para serem protagonistas do seu desenvolvimento como defendia Comboni”.

Giuseppe Ambrosoli criou em Kalongo, no norte do Uganda, uma escola para formar enfermeiras e parteiras, convicto de que aquelas pessoas, com a formação necessária, podiam ser atores do seu desenvolvimento e crescimento.

O Superior Geral dos Missionários Combonianos destaca o apelo desta beatificação a que cada missionário “viva com generosidade a sua vocação”.

Depois do fundador Daniel Comboni, Giuseppe Ambrosoli é o primeiro missionário comboniano a ser reconhecido como beato; viveu 31 anos em Kalongo assegurando e desenvolvendo um hospital e fundando uma das mais importantes escolas de saúde materna do continente africano.

Foto Agência ECCLESIA/HM, padre Tesfay Tadesse, superior geral dos Missionários Combonianos

Para o etíope e superior geral dos Missionários Combonianos, este momento desafia também a olhar outros combonianos generosos que viveram na santidade a sua vocação.

“Recordo o padre Ivo do Vale, que morreu jovem e foi uma figura que tocou muitos na Etiópia. Um missionário alegre e que certamente também viveu o seu caminho de santidade de forma muito séria”, afirmou.

O padre Ivo do Vale era conhecido na Etiópia como “Abba Ivo” e muito estimado por todos pela sua alegria, entrega e testemunho.

Ao beatificar Giuseppe Ambrosoli, a Igreja destaca a sua caridade heroica até à morte em favor dos mais necessitados.

Natural de Itália onde nasceu em 1923, Giuseppe Ambrosoli formou-se em medicina e cirurgia, tendo-se especializado em doenças tropicais em Londres, antes de decidir ser missionário comboniano, onde foi ordenado padre a 17 de dezembro de 1955.

Em fevereiro de 1956, o padre Giuseppe Ambrosoli partiu para África, enviado para Kalongo, uma vila perdida na savana, no norte de Uganda, para administrar um pequeno dispensário médico, que transformou num hospital e onde permaneceu até à sua morte, em 1987, depois do esforço de ter de evacuar o seu hospital em virtude da guerra se atingia aquela região do norte do Uganda.

HM/PR

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