Braga acolheu seminário sobre o tema «Cérebro e Espiritualidade»

Braga, 07 out 2022 (Ecclesia) – A Universidade Católica Portuguesa (UCP) acolheu hoje, em Braga, o seminário interdisciplinar ‘Cérebro e Espiritualidade: Perspetivas e Desafios’, que relacionou dados das neurociências com reflexões da filosofia e teologia.

Alexandre Castro Caldas, atual diretor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, desafiou os presentes a criar “uma ponte”, admitindo que este é um exercício “muito difícil”.

Abordando experiências religiosas e espirituais, o especialista apontou à necessidade de uma ponte com “dois sentidos” entre teologia e neurociências.

O orador sublinhou que as crenças religiosas dependem de “três dimensões cognitivas” que podem ser mapeadas em regiões específicas do córtex cerebral.

“Não é preciso procurar a alma no cérebro, porque não está lá”, acrescentou.

A iniciativa, que decorreu na Aula Magna da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP, apresentou o projeto de investigação financiado pela Fundação BIAL, denominado “Correlatos Neuroanatómicos de bem-estar nos exercícios espirituais e em mindfulness”.

O investigador Douglas Greve, da Universidade de Harvard (EUA), referiu na sua intervenção uma série de testes neurológicos, sobre o “cérebro religioso”, os quais mostraram que pessoas em oração reagiram como se estivessem na presença de um “ente querido”.

O religioso jesuíta João Onofre Pinto, docente de filosofia na UCP-Braga, abordou na sua intervenção os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loiola, destacando que, embora não tenham um fim “utilitarista”, podem proporcionar uma “experiência de plenitude”

O conferencista falou das duas dimensões destes exercícios, a mística, como a “plenitude da experiência religiosa”, aquilo que o “crente recebe”, e a “ascese”, o que o “crente faz”.

Para o religioso, esta dinâmica difere de outras propostas de espiritualidade contemporâneas que excluem a “noção de alteridade”.

Filipa Soares, do Centro Português de Mindfulness, precisou este conceito e abordou dados relativos ao seu impacto positivo na dor e sofrimento humano.

Ângela Leite, da UCP-Braga, doutorada em Ciências Biomédicas, na área da Psicologia, que também integra o projeto de investigação, apresentou os “pressupostos” do projeto.

“Cada um de nós procura alcançar este bem-estar de forma diferente”, observou.

A investigadora precisou que o estudo vista determinar se “o bem-estar que a religião ou a prática religiosa proporciona tem um bem-estar neuronal equivalente a outras práticas”, como a do “minduflness”.

Através de estudos feitos com recursos a ressonâncias magnéticas funcionais, precisou Ângela Leite, foi determinado que existem áreas do cérebro que se “sobrepõem”, mas outras que “são diferentes”, entre os exercícios espirituais e outras práticas.

O projeto “Correlatos Neuroanatómicos de bem-estar nos exercícios espirituais e em mindfulness” vai ser desenvolvido com a participação de voluntários.

O seminário desta sexta-feira foi moderado por Steven Gouveia, investigador do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da UCP.

OC

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