Diretora diz que projeto vai abordar «tema da criação», ligado às questões ecológicas

Lisboa, 05 abr 2022 (Ecclesia) – A diretora da Cátedra de Estudos Bíblicos Judaicos e Cristãos da Universidade Católica Portuguesa (UCP) disse que o plano de atividades deste projeto se vai desenvolver, sobretudo, nas vertentes da reflexão conjunta e da publicação.

“Vai começar por criar oportunidades de estudo conjunto, em que vamos trazer biblistas sobre alguns temas; Desse diálogo também queremos organizá-lo em publicações, outra vertente depois de registar todo este trabalho que vamos fazer para ficar disponível para as pessoas”, referiu a professora Luísa Almendra, em entrevista à Agência ECCLESIA.

A UCP lançou a 29 de março a nova Cátedra de Estudos Bíblicos Judaicos e Cristãos, ‘Isaac Abravanel – Damião de Góis’, projeto que já tem em cima da mesa o tema da criação, que “está muito na atualidade com as questões ecológicas”.

“É muito interessante porque eles têm uma sensibilidade semântica aos termos hebraicos que são utilizados nas narrativas da criação, que criaram muitas vezes um imaginário em nós cristãos que pode levar a uma leitura um pouco enviesada até dessas narrativas”, desenvolveu a diretora, acrescentando que nesse diálogo também vão falar como têm “lido essas narrativas”.

A professora da UCP na área de Estudos Bíblicos observa que “este diálogo não é fácil” e não é feito de um momento para o outro, por causa dos momentos da história de “não-diálogo”.

Segundo a diretora do novo projeto da Universidade Católica Portuguesa, a diferença que existe entre uma cátedra e os centros de estudo judaicos ou centros de estudo sobre as relações judaico-cristãs, é que privilegia “uma área de estudo”, e “não tem obrigação de ter programas fixos de ensino”.

Luísa Almendra salienta que “é importante” a Cátedra de Estudos Bíblicos Judaicos e Cristãos, ‘Isaac Abravanel – Damião de Góis’, porque é um trabalho que está a ser feito já há algum tempo noutras partes do mundo, mas também porque “é um mandato, um pedido”, que se iniciou no Concílio Vaticano II, com a publicação da declaração “Nostra Aetate (sobre a Igreja e as religiões não-cristãs)”, de 28 de outubro de 1965.

“Tínhamos também de dar início a algo que já vínhamos fazendo não de uma maneira institucionalizada”, observou a professora da UCP, convidada desta terça-feira do Programa ECCLESIA (RTP2).

Luísa Almendra fez um semestre de estudo na Universidade Hebraica em Jerusalém, quando estava no Instituto Pontifício Bíblico (Roma), e com 27 colegas integrou um grupo de judeus que foram fazer um ano de estudos em Israel.

Neste período, os participantes tiveram a oportunidade de trabalhar em conjunto e a especialista portuguesa ficou “impressionada”, por exemplo, com a leitura apresentada sobre o “poema da mulher forte”, que “é muito importante para o judaísmo, faz parte ainda hoje das orações do Shabbat”.

A Cátedra de Estudos Bíblicos Judaicos e Cristãos, ‘Isaac Abravanel – Damião de Góis’ integra o Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER), da Universidade Católica Portuguesa.

HM/CB/OC

 

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