Tudo contra a SIDA

Ana Cirera, conselheira técnica para o tema do HIV/SIDA Os Bispos da União Europeia e de África pediram aos governos africanos que aceitassem a gravidade da pandemia HIV/SIDA. O tema mereceu prolongada atenção durante o Colóquio que reuniu Bispos dos dois Continentes. Ana Cirera, conselheira técnica para o tema do HIV/SIDA explica o porquê. Agência ECCLESIA – Falou-se muito do HIV/SIDA num encontro das Igrejas da UE e de África. Há motivos para tanta preocupação? Ana Cirera – Não deve surpreender ninguém que, neste encontro, o tema do combate ao HIV/ SIDA tenha merecido um papel principal, porque é uma emergência de saúde pública que já causou 28 milhões de mortes! A situação agrava-se pelo facto de 42 milhões de pessoas estarem infectadas pelo HIV e é fundamental que se tomem medidas preventivas e de tratamento. Enquanto que, na Europa, a doença já se transformou numa doença crónica, em África é uma doença mortal e na África subsaariana é mesmo a primeira causa de morte. AE – Qual o papel da Igreja neste cenário de tragédia humanitária em África? AC – É importante que, em conjunto com outros actores, a Igreja tenha um papel de relevo na luta pelo acesso ao tratamento da doença, aos retrovirais, que diminuem a mortalidade em 90% e melhoram a qualidade de vida. Por outro lado estão as medidas preventivas que não se podem separar dos tratamentos. Sabemos que a infecção tem origem, fundamentalmente, através das relações sexuais e é importante tomar medidas de saúde pública que diminuam os riscos de infecção, como pode acontecer com o uso do preservativo. AE – Esse ponto é muito delicado, do ponto de vista do ensinamento da Igreja Católica. AC – Eu penso que era importante haver outra postura, mais aberta, porque temos de começar a falar do preservativo como uma medida de controlo da mortalidade. É algo super urgente, uma geração de africanos está a morrer e há que tomar medidas a esse respeito. AE – Encontra sensibilidade entre os europeus para este drama? AC – Bom, toda a gente está informada sobre o tema, mas há muitos interesses económicos e políticos pelo meio: basta ver o que acontece com a indústria farmacêutica, que impede a produção de medicamentos genéricos nos países africanos. O que há a fazer é abordar toda a problemática das patentes na Organização Mundial do Comércio para que, mesmo quem não possa produzir medicamentos genéricos, os importe a um menor preço.

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