Organização da Igreja Católica alerta para exploração das mulheres ucranianas «que fugiam do país» na guerra

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 29 jul 2022 (Ecclesia) – A ‘Caritas Internationalis’ pediu “medidas rigorosas” para combater o crime do tráfico de pessoas, alertando em especial para a situação da guerra na Ucrânia.

“O recente fluxo de sobreviventes ucranianos do atual conflito na Ucrânia para outras partes da Europa mostrou como predadores sem escrúpulos estavam à espera para explorar a situação das mulheres que fugiam do país”, assinala a organização da Igreja Católica, num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

“Milhares de mulheres e crianças” que fugiram da guerra na Ucrânia “acabaram ou correm o risco de cair nas mãos de traficantes”, e, segundo o secretário-geral da Cáritas internacional, desde o início da guerra, a 24 de fevereiro, a organização no país de leste e países vizinhos “tem estado ativa e comprometida em protegê-los e informá-los sobre os perigos que podem encontrar”.

A ‘Caritas Internationalis’ precisa que “mais de 70% das vítimas” de tráfico humano são mulheres e meninas, “enquanto quase um terço são crianças”, e todos os dias, “os mais vulneráveis – mulheres, homens e crianças” -, especialmente em situações de guerra e conflito, são “presas fáceis dos comerciantes de carne”, são explorados e escravizados pelos traficantes de várias formas.

“É necessária uma ação drástica para deter esse fenómeno moderno de escravidão e comércio de carne e é necessário fortalecer as medidas para combater esse crime, incluindo políticas e regulamentações mais rigorosas em todos os níveis”, afirma o secretário-geral da organização.

Aloysius John reforça o apelo desta confederação para ações e medidas concretas para combater este crime, que “conquista cada vez mais até o ciberespaço”, que torna o tráfico mais fácil e amplo.

‘Uso e abuso de tecnologia’ é o tema do Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas 2022, que se assinala este sábado.

A ‘Secours Catholique – Caritas France’ contabiliza que “cerca de 62% da prostituição passa pela Internet”, e Aloysius John observa que o tráfico de pessoas “é facilitado pelo acesso a novas tecnologias”.

“Há uma necessidade de um acompanhamento mais próximo da abordagem cibernética e do aproveitamento dessas inovações baseadas em tecnologia para detetar os criminosos e levá-los à justiça, identificar ainda mais vítimas e protegê-las por meio de serviços de apoio e outras atividades de conscientização”, desenvolveu o secretário-geral da ‘Caritas Internationalis’.

No Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas 2022, a organização internacional da Igreja Católica “apela aos governos” para que forneçam proteção e serviços básicos às vítimas de tráfico de pessoas, “adotem todas as medidas” para enfrentar a abordagem cibernética do tráfico de pessoas, promovam o “rastreamento internacional dos comerciantes de carne”, e aumentem os esforços e medidas para “identificar e levar esses perpetradores à justiça”.

O comunicado destaca que a Confederação Cáritas está “ativa no apoio e acompanhamento às vítimas do Tráfico de Pessoas” em todo o mundo, e apresenta diversos exemplo, no Oriente Médio, com a Cáritas Líbano, a Cáritas Tailândia (Ásia), e África, as Cáritas Malawi e Eswatini (antiga Suazilândia).

A Caritas Internationalis também colabora com a COATnet, uma rede ecuménica de 45 organizações cristãs compostas por Conferências Episcopais e congregações religiosas, além de outras organizações como a Aliança Anglicana, há cerca de 20 anos.

CB/OC

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