Fátima Almeida destaca necessidade de respeitar descanso dominical e de abrir os sindicatos ao diálogo com todos

Foto: RR/Joana Bougard

Lisboa, 03 mai 2019 (Ecclesia) – A copresidente do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC), Fátima Almeida, afirmou que existiu nas últimas décadas um “retrocesso” no reconhecimento do “trabalho digno, do trabalho com direitos”.

“Angustia-me um pouco, não imaginava que pudéssemos chegar a este ponto”, confessa a responsável portuguesa, em entrevista conjunta à Rádio Renascença e Agência ECCLESIA, publicada hoje.

Fátima Almeida é há dois anos copresidente do MMTC, que em 2021 se vai reunir, em assembleia global, na cidade de Lisboa.

Na semana do 1º de Maio e no ano do 100.º aniversário da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a responsável destaca que preocupações e problemas laborais são uma constante mundial, com várias conotações na Europa, da América ou África, lamentando que as novas tecnologias não tenham significado a melhoria as condições de vida para a maioria dos trabalhadores.

Hoje há muito mais riqueza, as novas tecnologias trouxeram mais riqueza, concentrada apenas em grandes multinacionais, mas trouxeram também o contraponto, que é uma grande taxa de desemprego, um descarte de milhões de trabalhadores e um aumento de carga horária e da rotatividade para aqueles que ainda estão integrados no trabalho”.

A responsável mundial pelo MMTC une a sua voz à defesa do “domingo livre”, que se tem intensificado em Portugal, e lamenta que, num país de maioria católica, se tenha perdido o “respeito religioso e civil” por datas como o Natal, a Páscoa ou o Dia do Trabalhador.

“É um pecado de bradar ao céus”, diz.

Foto: RR/Joana Bougard

A questão do domingo livre ‘e enquadrada na necessidade de uma diminuição do horário de trabalho e de um novo estilo de vida menos consumista, como propõe o Papa Francisco na sua encíclica ‘Laudato Si’.

“Não podemos continuar com horários tão longos, e possivelmente não necessitamos de tanta rotatividade no trabalho, daí que uma das ações do Movimento Mundial seja a questão do domingo livre, e a diminuição do horário de trabalho”, precisa Fátima Almeida.

A entrevistada fala ainda das mudanças que afetam os Sindicatos, considerando que “as lutas sindicais são eficazes quando têm por fundo a solidariedade ou o bem de todos, não apenas o de uma “parte”.

“Os sindicatos têm de estar abertos a um diálogo permanente. Nós temos de ter horários para trabalhar, mas não podemos ter horários para o diálogo social. E eu acho que hoje é esta parte que está a faltar na nossa sociedade. Nós precisamos de um diálogo”, apela.

A entrevista semanal conjunta Renascença/ECCLESIA é publicada à sexta-feira e transmitida na emissora católica portuguesa, entre as 13h00 e as 14h00.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia).

«Lutas sindicais são eficazes quando têm por fundo a solidariedade e o bem de todos»

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