Comissariado em Portugal quer ser «ponte acessível» para chegar aos Lugares Santos e ao conhecimento bíblico

 

Lisboa, 13 set 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica promove hoje uma coleta mundial em favor das comunidades cristãs da Terra Santa, espaço privilegiado de trabalho dos frades franciscanos, que acolhem peregrinos e asseguram a manutenção dos Lugares Santos.

A Custódia Franciscana estende-se a nível internacional com uma rede de comissariados, em vários países, incluindo Portugal, onde se recolhem as ofertas da coleta “pro Terra Sancta”, se propõem jornadas dedicadas à região e organizam os peregrinos que querem visitar os lugares bíblicos, difundindo materiais informativos e objetos religiosos produzidos na Terra Santa.

A sede do comissariado nacional fica em Lisboa, no Seminário Franciscano da Luz, e tem como responsável frei Vitor Rafael.

“É aqui que recebemos as pessoas em busca de informações sobre a Terra Santa, acerca das peregrinações e para adquirir alguns destes objetos em madrepérola ou madeira de oliveira que vêm dos lugares santos”, refere à Agência ECCLESIA.

O espaço acolhe ainda a redação da edição portuguesa da revista Terra Santa, que tem como diretor o padre João Lourenço, biblista e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

“Trata-se de uma edição internacional que depois assume contornos específicos em cada país”, explica o religioso, que destaca a dimensão formativa desta publicação com os dossiês temáticos que constituem uma proposta para aprofundar os conhecimentos bíblicos.

“Outra vertente da revista é criar ocasiões e congregar pessoas para fazer retiros e encontros de reflexão sobre a realidade Terra Santa na vida dos crentes”, acrescenta.

Objetivo do Comissariado da Terra Santa em Portugal é também possibilitar a visita aos Lugares Santos, sempre em atitude de peregrinação e de estudo.

“Nós cultivamos esta singularidade de fazer itinerários adequados à história da salvação, à vida de Jesus e sem esquecer o lugares do Antigo Testamento”, indica o padre João Lourenço.

O prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais (Santa Sé), cardeal Leonardo Sandri, divulgou em março a sua tradicional carta para a coleta de Sexta-feira Santa – adiada este ano devido à pandemia de Covid-19 – com apelos à generosidade das comunidades católicas, alertando para a “tragédia da contínua e progressiva redução do número dos fiéis” na Terra Santa, “com o consequente risco de ver desaparecer as diversas tradições cristãs que remontam aos primeiros séculos”.

“Longas e desgastantes guerras produziram e continuam a causar milhões de refugiados condicionando, fortemente, o futuro de gerações inteiras, as quais se veem privadas dos bens mais elementares como o direito a uma infância serena, a uma instrução escolar organizada, a uma juventude dedicada à procura de um trabalho”, pode ler-se, no documento divulgado pelo Vaticano.

A coleta promovida pela Santa Sé junto das dioceses de todo o mundo acontece anualmente, recolhendo donativos para as comunidades que vivem na Terra Santa e para a manutenção dos lugares ligados à vida de Jesus e ao início do Cristianismo.

O Papa Paulo V, com o documento ‘Celestis Regis’, de 22 de janeiro de 1618, foi o primeiro a determinar a finalidade desta recolha de donativos e Bento XIV confirmou-a com o breve apostólico ‘In supremo militantis Ecclesiæ’, de 7 de janeiro de 1746.

A manutenção dos chamados Lugares Santos, que está confiada à Custódia Franciscana, passa pela preservação dos vários monumentos que assinalam a ligação dos espaços a Jesus e os apóstolos, mas sobretudo pelo apoio às atuais comunidades cristãs – uma minoria entre muçulmanos e judeus na Palestina e Israel.

Os territórios que beneficiam de várias formas de apoio da Coleta são a Palestina, Israel, Jordânia, Chipre, Síria, Líbano, Egito, Etiópia, Eritreia, Turquia, Irão e Iraque.

Os donativos são utilizados na construção de casas, no apoio aos pobres, cuidados de saúde, apoio a refugiados e preservação dos santuários, entre outros.

Um trabalho em destaque, este domingo, nas emissões dos programas ECCLESIA (Antena 1, 06h00) e ‘70×7’ (RTP2, 17h25)

HM/OC

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