Lisboa, 05 ago 2013 (Ecclesia) – A revista ‘Communio’ apresenta no segundo número de 2013 o tema ‘Rito e ritualidade’ num “tempo em que se redescobre a importância ritual para indivíduos e comunidades”.

Na apresentação, enviada à imprensa, é explicado que são várias as disciplinas que se dedicam ao “homo ritualis”.

Uns porque procuram “uma especificidade simbólica” ou “padrões sociobiológicos” que permitem comparar as espécies, outros porque consideram-no anterior ao “homo narrans” cuja ritualidade já era um fator de cultura antes da “linguagem articulada”.

Por isso, a função ritual está a ser redescoberta e estudada como fator de “socialização dos indivíduos e a revitalização das comunidades”, aclaram.

Em ‘Rito e símbolo, Jogo das transcrições’, Ângelo Cardita faz uma análise cultural e religiosa onde revela que “este deve ser entendido como uma transcrição pragmática do símbolo”, e o contrário uma “transcrição sintática do rito”.

No âmbito bíblico, José Tolentino Mendonça, em o tema ‘Vocabulário e gestos rituais no Novo Testamento (NT). Pequeno guia para viajar no aberto’, e explica que o NT “parece resistir ao uso do vocabulário ritual”.

Pedro Braga Falcão, com o tema ‘As primeiras comunidades cristãs vistas por um pagão. Uma dissidência ou uma coincidência ritual?’ revela a problemática histórica do rito como tensão face à “ritualidade civil da pax romana”.

“A ritualidade litúrgica. Um espaço de liberdade’, de François Cassingena-Trévedy, explica como o rito abre o individuo à solidariedade quando está em grupo e o sociabiliza abrindo-lhe a memória.

João M. Eleutério também se foca na ritualidade litúrgica e com o texto ‘Ritos e iniciação cristã. A emergência do sujeito crente’ explica o rito como objeto da teologia litúrgica e sacramental que, recentemente foi revisto pela teologia prática – iniciação cristã; pastoral sacramental e comunitária.

A reflexão sobre realidades concretas começa em Braga, no edifício religioso que ganhou o prémio ArchDaily 2011 para melhor arquitetura.

A análise de Joaquim Félix de Carvalho, em ‘A Capela Árvore da Vida. Arte e arquitectura’, responde à pergunta, como o espaço arquitetónico litúrgico é um lugar de abertura espiritual ao mistério de Deus.

O ator e encenador Luís Miguel Cintra no texto ‘Adão é deitado de sua alegria. A propósito de ritos, rituais e teatro’, dá-nos a sua opinião pessoal e começa por explicar que nada é mais livre que a religião, para debruçar-se na exploração das “imbricações do teatro e da liturgia”

‘O cante Alentejo. A hipótese ritual’ por Alexandre Branco Weffort explica o que é este cantar característico e identifica o rito e a tradição religiosa como hipótese de origem ritual.

As ‘Crianças e o Rito’ é apresentado por Leonor Cardoso através da contextualização da iniciação à fé.

Na secção Perspectivas, publicam a obra musical de João Madureira – Pater – do cd «Silêncio», gravado pelos «Sete Lágrimas».

Este ano, a revista internacional católica prevê apresentar mais dois temas, a ‘Amizade’ e a ‘Santidade da Igreja’.

CB/PR

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