Volume analisa o conceito a partir das suas «raízes, conquistas e possibilidades»

Lisboa, 22 ago 2012 (Ecclesia) – A primeira edição de 2012 da revista ‘Communio’ é dedicada à ‘Democracia’, termo que segundo o texto de apresentação é difícil de precisar devido às “múltiplas apropriações que dele se têm feito”.

“A crise que presentemente vivemos e os novos modelos sociais e políticos que se anunciam levam-nos a analisar criticamente o conceito de democracia, perspetivando-o quer nas suas raízes, conquistas e possibilidades quer nas suas limitações e efeitos perversos”, explica a introdução.

Em ‘Atenas. A democracia na Grécia Antiga’, José Pedro Serra analisa o entendimento helénico do regime e a forma como foi concretizado, além de abordar as “teorizações políticas” a que deu origem, bem como as críticas que gerou.

Adriano Moreira centra-se sobre a atividade política e destaca “a nobreza que lhe é inerente”, enquanto que Herbert Schlögel acentua que a estabilidade e justiça social nos regimes democráticos exige a prática das características deste modelo político, entre as quais se encontram as “virtudes cardeais”.

O povo é quem mais ordena?’, interroga José Manuel Pureza, que examina a democracia contemporânea à luz de “movimentos pendulares nos últimos dois séculos”.

Guilherme Oliveira Martins, por seu lado, defende que a encíclica ‘Caritas in Veritate’ é uma “referência” a partir da qual o Papa Bento XVI analisa a crise atual, “sublinhando as razões que a provocaram e frisando a desvalorização efetuada pela economia sobre uma ética da utilização dos recursos disponíveis”.

No texto ‘Multiculturalidade, democracia e direitos humanos’, João Maria André evidencia os “processos fecundos de interação mas também os conflitos e guerras que dele derivaram”.

Hans Schelkshorn detém-se sobre a ‘primavera Árabe’, contrapondo “o entusiasmo e a coragem dos povos em que tal movimento ocorreu com a atitude de reserva letárgica (e por vezes também cínica) da política e da opinião pública europeias”.

O futuro da democracia parece estar ameaçado, especialmente nas sociedades ocidentais, apesar deste tipo de governo reunir “um consenso muito amplo”, observa o texto de Dominique Weber.

“É a democracia o regime definitivo?”, pergunta Rémi Brague, que depois de investigar o pensamento de Kant, Nietzsche, Marx, Arendt e Fukuyama, entre outros, sugere que a transcendência é “a única resposta possível à questão do futuro do homem”.

O dossier termina com o discurso que Bento XVI proferiu em setembro de 2011 ao Parlamento Federal Alemão, intitulado ‘Os Fundamentos do Estado Liberal de Direito’.

Na secção ‘Depoimentos’ é apresentado o testemunho de Maria de Fátima de Andrade Mendes, que relata o seu trabalho como assessora diplomática da 50.ª Sessão da Assembleia Geral da ONU (1995-1996), presidida pelo português Diogo Freitas do Amaral.

José Dias escreve sobre “a longa espiral amorosa” que o conduziu ao encontro com Cristo através do “empenhamento social, político e religioso em prol da justiça e da paz”.

A revista termina com um artigo de Teresa Messias sobre ‘Espiritualidade cristã e identidade crente nas culturas juvenis’, onde se salienta que “a dinâmica da secularização não corresponde a uma perda de interesse pelo sagrado mas sim a uma mutação do seu sentido”.

“A última vinda de Cristo”, “Nos 50 anos do Concílio Vaticano II” e “Catolicidade da Igreja” são os temas que a revista ‘Communio’ prevê lançar em 2012.

RJM

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