Sudão: Organizações cristãs e da sociedade civil pedem «proteção dos civis» e defesa do «direito internacional humanitário»

«Três anos de guerra brutal aterrorizaram o povo do Sudão e destruíram o próprio tecido da sociedade», alerta o secretário-geral da «Caritas Internationalis», Alistair Dutton

Foto: caritas.org

Roma, 15 abr 2026 (Ecclesia) – A ‘Caritas Internationalis’ e a Norwegian Church Aid (Ajuda da Igreja Norueguesa), nos três anos de guerra no Sudão, apelam à proteção dos civis, e garantir a responsabilização por “violações graves e contínuas do direito internacional humanitário”.

“As organizações religiosas que operam no Sudão apelam a compromissos concretos e transparentes através da Conferência de Berlim, desta semana, e posteriormente, para defender os direitos humanos e proteger os civis e os profissionais que trabalham na linha da frente”, lê-se num comunicado da Caritas Internationalis, enviado esta quarta-feira, 15 de abril, à Agência ECCLESIA.

Há três anos, desde 15 de abril de 2023, a guerra no Sudão, entre o exército sudanês e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), “continua a devastar a vida civil”, e a provocar uma “vasta destruição de infraestruturas civis e humanitárias essenciais”, incluindo escritórios e armazéns humanitários que foram “tomados, saqueados ou destruídos”.

A ‘Caritas Internationalis’ e a Norwegian Church Aid (Ajuda da Igreja Norueguesa), à medida que o conflito no Sudão entra no seu quarto ano, apelam a “uma ação imediata para proteger os civis”, e garantir a responsabilização por “violações graves e contínuas do direito internacional humanitário”, e salientam que num momento de “profunda instabilidade global”, a defesa do direito internacional, “incluindo o direito internacional humanitário, deve ser inegociável”.

“Os níveis inimagináveis de sofrimento para o povo sudanês continuam a aumentar, especialmente para as mulheres e raparigas, cujas vidas e futuros estão a ser destruídos”, alertam.

A organização norueguesa, que é membro da ACT Alliance, apoia pessoas deslocadas internamente (PDI) no Sudão, responde às necessidades de mulheres e raparigas, em particular, através do fornecimento de água, e a ACT Alliance – coligação global de inspiração religiosa, com mais de 160 membros, “que operam em mais de 120 países” – e a Caritas Internationalis trabalham em conjunto para “satisfazer as necessidades contínuas das PDI”.

“Três anos de guerra brutal aterrorizaram o povo do Sudão e destruíram o próprio tecido da sociedade. Ambos os lados devem cessar as hostilidades imediatamente e procurar uma paz justa e duradoura que restaure a harmonia e a reconciliação e permita às pessoas reconstruir as suas vidas. As pessoas, particularmente as mulheres e as raparigas, devem estar seguras e devem ser incluídas na definição do futuro do seu país”, pede o secretário-geral da Caritas Internationalis, Alistair Dutton.

Neste terceiro ano da guerra no Sudão, várias organizações religiosas, incluindo a ACT Alliance, a Caritas Internationalis e a Islamic Relief Worldwide, divulgaram uma declaração conjunta onde apelam à comunidade internacional para que atue “de forma decisiva”, e pedem “a paz liderada por civis”, que para além da ajuda humanitária essencial mantenham “o financiamento humanitário, para o desenvolvimento e para a recuperação inicial”, e a proteção e acesso, que se comprometam “com uma diplomacia internacional unificada e responsável”.

Shahin Ashraf, da Islamic Relief Worldwide, destaca que os grupos religiosos locais “estão no centro da resposta à crise”, e exemplifica que a gestão de cozinhas solidárias “em mesquitas e igrejas salvou inúmeras vidas”, demonstram o “verdadeiro espírito de compaixão e humanidade”.

“Agora precisamos que os governos internacionais demonstrem o mesmo. Precisamos de esforços coordenados urgentes para proteger os civis, impedir a propagação da fome e aumentar o apoio aos grupos de resposta locais”, acrescentou.

As Nações Unidas (ONU), na informação sobre a Conferência Internacional dedicada ao Sudão, que procura ajuda, acesso e um caminho para a paz, e se realiza hoje, dia 15 de abril, em Berlim, na capital alemã, contabilizam que “mais de 33 milhões de pessoas precisam de ajuda” neste país africano, segundo as organizações humanitárias.

CB/OC

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