Refugiados sírios chegaram a Portugal após 10 meses num campo na Grécia

Lisboa, 29 dez 2016 (Ecclesia) – Os Irmãos Maristas em Portugal viveram um dia de Natal diferente do habitual na companhia de uma família de refugiados síria, constituída por cinco pessoas, pais e filhos, que estão a acolher em parceria com a Fundação Champagnat.

“Foi um Natal com mais vida, mais atenção uns aos outros porque a situação exigia. Éramos cerca de 25 pessoas à volta da mesa ampla e partilhada”, disse hoje o delegado dos Irmãos Maristas em Portugal destacando que a família se inseriu na celebração natalícia dos religiosos.

À Agência ECCLESIA, o irmão António Leal explicou que a família de refugiados da cidade síria de Alepo, que chegou a Portugal dia 20 de dezembro, inseriu-se com “muita facilidade”, a “dificuldade da língua” foi superada com a “boa vontade” de todos.

Antes do almoço de Natal, os convidados especiais foram conhecer o espaço do Colégio de Carcavelos com dois dos religiosos mais jovens.

A família é constituída por cinco pessoas, o pai e a mãe, que se encontra grávida de seis meses, e três filhos, duas meninas, com 2 e 9 anos, e um rapaz com 6 anos.

O desafio de acolher refugiados, grupos ou famílias, foi feito “pelos próprios acontecimentos” e, depois, pelos apelos da sociedade civil e do Papa Francisco a toda a Igreja.

Neste contexto, o religioso partilhou a ideia do acolhimento com a Fundação Champagnat, com a direção do Externato Marista e com a associação de pais que foram recetivos.

“Essas pessoas fazem parte da nossa humanidade, tínhamos de nos interessar e era muito injusto se pudéssemos fazer alguma coisa e não fizéssemos”, observa o irmão António Leal.

O processo de acolhimento demorou mais de um ano, entre a candidatura e a chegada da família síria que esteve os últimos 10 meses num campo de refugiados na Grécia, e o “impacto inicial esbateu-se pela demora”.

“Ficámos quase um ano sem ter notícias pensando que o processo pelas variáveis mais diversas se calhar nem se concretizaria”, acrescentou o religioso marista.

Sílvia Palma, que trabalha na Fundação Champagnat, recorda que a assinatura do protocolo foi em outubro de 2015 mas “só em outubro de 2016” é que tiveram informação “que, efetivamente, ia chegar uma família”.

Inicialmente pretendiam acolher uma família com dois filhos mas a PAR – Plataforma de Apoio aos Refugiados desafiou a Comunidade Marista a receber mais pessoas.

“O acolhimento tem sido fácil, são uma família muito sociável, gosta de se relacionar connosco e procura esse relacionamento. Integram-se em todas as situações onde são chamados dispostos a aprender, a querer saber mais”, desenvolve.

A entrevistada adianta ainda que na Síria a família pertencia à classe média alta, “o pai tinha uma fábrica” e a mãe tomava conta dos filhos que agora vão “estudar no Colégio Marista de Carcavelos”.

Sílvia Palma comenta que a comunicação se faz também por “olhares, sorrisos” e a menina mais velha “fala inglês que aprendeu no campo”.

A fundação do instituto Marista tem também o apoio de uma tradutora da comunidade islâmica para as entrevistas “mais técnicas” com sua a assistente social.

SN/CB

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