Investigação apresentada no 40.º aniversário da CNIS aborda «respostas sociais no percurso de cuidados à pessoa com dependência»

Foto: Jornal Solidariedade

Porto, 15 jan 2021 (Ecclesia) – A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) apresentou hoje, na sessão comemorativa do seu 40.º aniversário, um estudo que alerta para o impacto do envelhecimento na sociedade portuguesa.

O investigador Manuel Lopes apresentou os resultados preliminares do estudo ‘As respostas sociais no percurso de cuidados à pessoa com dependência’, que ainda está a decorrer, e tem como objetivo “compreender a nova realidade” de uma “sociedade muito envelhecida do ponto de vista demográfico”.

“Sermos uma sociedade envelhecida do ponto de vista demográfico é um sinal de desenvolvimento, não é um problema em si mesmo. Indica-nos que conseguimos criar as condições para que as pessoas possam viver tantos anos, um aspeto que deve ser claramente sublinhado e apontado como positivo”, explicou o coordenador do estudo e professor na Universidade de Évora, falando na sessão online.

O especialista observou que a forma como se envelhece “já é um problema”, sublinhando que Portugal tem “metade da esperança média de vida com saúde da Suécia”.

“O nosso grande problema é ser velho, ser doente e ser dependente”, acrescentou, observando que “ser doente é ter múltiplas doenças crónicas”, pelo que se exige formação “para dar resposta à multimorbilidade e dependência dos idosos”.

Outra dimensão “preocupante” identificada no estudo é o contexto sociofamiliar, porque já não existe “a ideia de famílias alargadas, onde idosos estariam inseridos”, levando a que muitos vivam sozinhos “ou acompanhados por uma pessoa com idade idêntica à sua”.

O investigador explicou que estudaram as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e os Centros de Dia com o objetivo “compreender e caraterizar” a dependência das pessoas cuidadas e “desenvolver um modelo de cuidados adequado a esta nova realidade”.

O professor universitário adiantou que estão a desenvolver um “modelo de cuidados”, adiantando que é preciso “reconsiderar o enquadramento legislativo”, os princípios que devem obedecer os “cuidados centrados na pessoa, no respeito, no autocuidado, na relação de apego e de suporto social”, o enquadramento organizacional, as necessidades das pessoas e os resultados a atingir.

O Jornal ‘Solidariedade’ publicou ainda dados de um estudo que visa retratar a situação das IPSS portuguesas, “registando e dando visibilidade aos problemas decorrentes da Covid-19”, desenvolvido por dois investigadores do polo regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa.

“Os dois grandes objetivos foram, por um lado, mapear o que foi a pandemia na vida das instituições e dos seus beneficiários e a preocupação de dar visibilidade ao seu trabalho e dar algum contributo para saber quais as dificuldades e também as estratégias e dinâmicas que implementaram”, explicou Filipe Martins.

CB/OC

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