Padre Nuno Coelho salienta que pandemia trouxe «grandes dificuldades, tudo fechado», pessoas «sem ordenados» e poucos apoios

Lagoa, 16 out 2021 (Ecclesia) – O padre Nuno Coelho disse que se não fosse a Cáritas Paroquial de Lagoa, na Diocese do Algarve, muitas pessoas “não teriam como subsistir”, lembrando que pandemia causou “grande dificuldade”.

“As pessoas necessitam cada vez mais deste apoio e se não fosse a Cáritas Paroquial muitas não teriam como subsistir. Esta é a importância de estar atentos à primeira necessidade das famílias que perderam muito poder de compra com a pandemia”, explicou o pároco de Lagoa, em declarações à Agência ECCLESIA.

O padre Nuno Coelho alerta para a “grande dificuldade” que o novo coronavírus causou na região e adianta que “só agora, nos últimos três meses, as coisas começaram um pouco a melhorar”.

“Houve grandes dificuldades, tudo fechado, as pessoas que trabalhavam sobretudo no turismo sem forma de ter subsistência, sem ordenados, os apoios eram poucos”, acrescentou.

Segundo o sacerdote também “há alguma pobreza envergonhada”, que é aquela que “mais” o preocupa porque as pessoas não têm os bens ou poder de compra “mas têm vergonha de pedir”, por isso, têm de “estar cada vez mais atentos a essa situação”, mas é com alguma dificuldade que chegam às pessoas.

“Há muitas pessoas que recusam reconhecer que têm necessidades mas como fazemos as coisas sem muito alarido, tentamos sempre na descrição e fala pessoalmente com as pessoas quando conhecemos a situação que estão a passar. Ou chamamos à instituição quando temos o contacto e a partir daí gera-se esta ajuda mútua”, desenvolveu.

A Cáritas Paroquial de Lagoa, que assegura agora o trabalho sóciocaritativo da paróquia algarvia, apoiam cerca de 70 famílias por mês, “250 pessoas”, e foi criada em setembro, era uma Conferência Vicentina – Sociedade de São Vicente de Paulo.

O padre Nuno Coelho adianta que foi criado protocolo com a autarquia de Lagoa que deu 12.500 euros para a compra de bens alimentares e de primeira necessidade, para a ajuda ser “mais eficaz”, uma vez que “só com os apoios da comunidade é pouco” e estão a ter uma despesa de “cerca de 1000 euros por mês em alimentos para atender as famílias”, para além do que vão buscar ao Banco Alimentar.

“É necessário cada vez mais olharmos para o outro como parte de nós e cada vez mais faz sentido deixarmos o mundo um bocadinho melhor. A caridade, esta Cáritas a que somos chamados, faz toda a diferença quando nos empenhamos e damos de coração”, realçou o responsável católico.

O pároco de Lagoa explica ainda que esta mudança de Conferência Vicentina para Cáritas Paroquial foi pedida pelos membros que integravam essa equipa e a maior “vantagem” que têm “é a autonomia”: “Com número de contribuinte próprio, não dependemos de outros a nível fiscal, de burocracias, e isso dá-nos uma estabilidade maior, atendimentos mais eficazes”.

Foto Inácio Gravanita/Foto Gravanita

A Cáritas de Lagoa apoia pessoas na área das paróquias de Lagoa e do Parchal e do vicariato paroquial da Mexilhoeira da Carregação.

O presidente da Cáritas Diocesana do Algarve, Carlos Oliveira, explicou que a missão desta nova delegação paroquial insere-se no âmbito da missão desta instituição de “intensificar a presença da ação sóciocaritativa da Igreja do Algarve junto das populações”, informa o Jornal ‘Folha do Domingo’.

A Cáritas da Diocese do Algarve tem seis representações paroquiais: Boliqueime, Cachopo, Lagoa, matriz de Portimão, Nossa Senhora do Amparo de Portimão e São Brás de Alportel.

O assistente eclesial da Cáritas do Algarve, o cónego Carlos de Aquino, em representação do bispo diocesano, presidiu à celebração da tomada de posse da direção da Cáritas Paroquial de Lagoa, na Eucaristia de 8 de setembro, dia da festa da padroeira da cidade.

CB

 

Foto Inácio Gravanita/Foto Gravanita

 

Partilhar:
Share