Psicóloga explica que «é através da brincadeira que a criança se explora a ela, explora o mundo, conhece»

Lisboa, 18 jun 2020 (Ecclesia) – A psicóloga Rute Agulhas afirma que a “brincar aprende-se muito bem” e isso pode ser aproveitado para trabalhar “com as crianças alguns contextos, alguns temas” como ‘os diretos da criança’ ou a “prevenção do abuso sexual”.

“As atividades lúdicas, o brincar, é uma coisa muito séria. A brincadeira tem que ser levada a sério porque é através da brincadeira que a criança se explora a ela, explora o mundo, conhece, que se descobre, que se espanta, que comunica”, explica, esta noite no programa ECCLESIA, na rádio Antena 1.

Rute Agulhas salienta que a brincadeira “é fantástica e tem de ser estimulada de várias formas” e aproveitada para trabalhar com as crianças, “sempre dessa forma descontraída”, “alguns contextos, alguns temas” como a Convenção sobre os Direitos da Criança, que fez 30 anos no dia 20 de novembro de 2019 e, nesse contexto, foi apresentado o jogo ‘Diretos em jogo’.

“O grande objetivo deste jogo é educar sobre os direitos mas também educar para os deveres. Significa que estamos a tentar que estas crianças cresçam e se tornem crianças, jovens e adultos mais conscientes dos seus direitos mas, ao mesmo tempo, mais conscientes dos direitos dos outros”, desenvolveu a investigadora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Rute Agulhas explica que é “muito simples” de cartas que têm um direito – “que a convenção enuncia” – e um desenho e existe um baralho para “as crianças mais pequenas” a partir dos três anos, “com desenhos e uma explicação mais simples”, e as autoras pensaram noutro baralho a partir dos 6 anos até aos 14..

“E a brincar vamos falando sobre coisas muito sérias. A literatura tem mostrado, em estudos em muitos países e também em Portugal, que há uma percentagem muito significativa de crianças que nem sequer sabe o que é a Convenção sobre os Direitos da Criança, o documento mais ratificado de sempre”, desenvolve.

A psicóloga explica que quando perguntam às crianças de várias idades se “sabem ou acham que têm direitos” a resposta é “sim” mas quando perguntam quais, “invariavelmente, fazem referência aos direitos relacionados com a satisfação das suas necessidades mais básicas”, como “ir à escola, comer, o direito a ter roupa, a tomar banho”.

Neste contexto, Rute Agulhas observa que as crianças “não dizem que tem direito a ser ouvidas, a participar em sociedade”, que têm direito a ser protegidas de maus trato e negligência, “a manter contactos com os pais”, a verem respeitadas as suas “crenças, a sua cultura, a sua religião”.

“Um conjunto de direitos muitíssimo importantes, não só os da sobrevivência mas também os direitos da participação e da proteção que as crianças não elencam como sendo direitos”, acrescenta.

‘Diretos em jogo’ é recomendado por vários parceiros como a Comissão para a Proteção de Menores do Patriarcado de Lisboa, que “assumiu” o compromisso ajudar “alguma entidade – escola, catequese, colégio – que queira adquirir o jogo e não possa”.

No programa ECCLESIA desta quinta-feira, na Antena 1 da rádio pública, a psicóloga Rute Agulhas explica que têm também “um jogo de prevenção do abuso sexual”, para as crianças mais pequenas é o ‘Picos e avelã – à descoberta da floresta do tesouro’ e ‘as aventuras do búzio e da coral’, “para crianças mais velhas”.

LS/CB

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